“Uma Duas”, um romance que mostra a face mais humana do amor
Quem espera encontrar em “Uma Duas” aquele romance meloso e, por vezes, chato vai se decepcionar. O primeiro livro do gênero da jornalista Eliane Brum, que chega às livrarias ainda no mês de junho, vai muito além das juras de amor e encontros inesperados. Na obra, a escritora mergulha em um universo obscuro e, por vezes, assustador da relação de Maria Lúcia e Laura, mãe e filha que vivem uma relação conturbada, intensa, mas estranhamente amorosa.
É impossível gostar ou odiar das personagens integralmente, assim que você começa a se apegar a alguém, um lado escuro surge nas próximas páginas e a dúvida surge automaticamente. Tudo não passa do ser humano retratado de forma fiel, com tudo o que há de bom e ruim.
Eliane Brum é conhecida no jornalismo pela sensibilidade do seu texto e em seu primeiro romance não é diferente. Acostumada com suas crônicas e seu belíssimo livro “A vida que ninguém vê”, o começo de “Uma Duas” me causou um baque tamanha a intensidade das palavras, da história, das personagens.
Ao longo dos 37 capítulos, a autora escreve ora como Laura, ora como Maria Lúcia e até mesmo como narradora. Confuso? Um pouco, mas depois de um tempo você acaba por “pegar” o ritmo de leitura, também bem separado pelas diferentes fontes usadas em cada uma das personagens.
Em “Uma Duas” começamos a nos questionar quais são os laços que unem mãe e filha. Que tipo de influência uma exerce sobre a outra? O romance é, portanto, um retrato fiel de uma relação que passa do amor ao ódio, por isso, não se assuste se em algum momento você se identificar com mãe, filha ou ambas.
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