Um vício chamado The Glee Project
Se há uma coisa que me pega de jeito são os realities shows. E se envolve música, meu amigo, putz, fodeu. Pode até ser um show de qualidade questionável, eu fico vidrada mesmo assim, não tem jeito. E não foi diferente com “The Glee Project”, exibido nos Estados Unidos pelo canal Oxygen, que se propôs a achar um novo e desconhecido talento para aparecer em sete episódios da terceira temporada da aclamada série da Fox.
O que farei aqui é uma espécie de análise de toda a primeira temporada do reality show (como fotos e vídeos marcantes). Portanto, se você ainda não viu a final (que aconteceu neste domingo, dia 22), ou está acompanhando pela TV brasileira, melhor parar de ler o texto agora mesmo. Temo que inevitavelmente eu vá revelar acontecimentos que ainda são desconhecidos para você.
De pronto achei meio tosca a ideia de ter um programa para selecionar um novo personagem para a série. Se for pensar bem, é um lance bastante bizarro que só visa pegar carona no lucro da original. Só comecei a ver “The Glee Project” porque falavam que tinha um tal brasileiro baixinho por lá, então quis conferir. Mas aí veio a surpresa. Muitos participantes, para não dizer quase todos, pareciam ser vocalmente superiores aos próprios integrantes do elenco (Cory Monteith que o diga!). Resolvi dar uma chance ao reality e não me arrependo. O nível foi alto, houve muito profissionalismo do começo ao final, e para um domingão à noite, quando as opções são escassas, o show caiu muito bem.
Mas vamos aos participantes, aos três primeiros eliminados mais precisamente. Bryce, o primeiro deles, me pareceu o único goodbye realmente acertado. O cara foi um mala durante o programa todo, questionou o que devia e o que não devia, e a sua voz não pareceu nada espetacular. O que me preocupa é saber que ele participou do chat final junto com os cinco últimos participantes do programa. O que Bryce fazia lá? Enfim, rolam boatos de que ele teria sido contratado também. Com tanta gente mais talentosa em Glee Project, espero que não.
As eliminações seguintes, Elis e Emily, doeram no coração. Ambas arrasaram em suas performances individuais para Ryan Murphy, mas nem isso conseguiu segurá-las no programa. Fiquei um pouco revoltada na época porque parecia evidente que o criador de Glee preferia os meninos (e longe de mim ser tendenciosa ou insinuar algo, tá? HAHAHA). Foi logo nesse começo, com Elis e Emily, que despontou Lindsay, uma menina linda que cantava muito bem, mas também mandava um bullying louco nos demais. Só para citar uma das suas peripécias, ela ironizou Elis por ter dado o primeiro beijo em uma situação forjada, em frente às câmeras (veja vídeo abaixo), e isso não foi nada legal. Mas deixemos Lindsay para depois.
A quarta eliminação também me pareceu bastante acertada. Apesar de McKynleigh ter uma das melhores vozes do programa, ela nunca arrasou de verdade. Quer dizer, arrasou, em sua apresentação final, mas esse insight de talento veio muito tarde. Destaque para o “Keep Holding On” da moça (a despedida do programa), que foi uma das mais emocionantes apesar da pouca empatia que ela conseguiu junto aos fãs do programa.
O quinto a se despedir do programa foi o brasileiro Matheus Fernandes, e devo dizer que foi tarde. Apesar de rolar aquela afeição inicial por ser brasileiro, o baixinho não era nem de perto tão talentoso quanto os demais. As eliminadas Elis, Emily e McKynleigh com certeza eram superiores ao rapaz. Se pá, até o pouco aproveitado Bryce. Cheio de caretas e de tiques na interpretação e na dança, Matheus deixou o “The Glee Project” e não fez lá grande falta.
E isso nos leva a Marissa, a sexta eliminada. A menina vinha arrasando desde o começo do programa, havia ganhado o episódio anterior e tinha acabado de levar um homework (uma espécie de tarefa antes da prova final). Quem imaginaria que ela poderia sair logo em sua primeira apresentação para Ryan Murphy? Pois bem, ela saiu, mas não que merecesse. Algum tempo depois até sir Ryan admitiu o erro. Em entrevista, ele disse que Marissa havia saído precipitadamente e, revendo a edição do episódio, revelou ter sido injusto. Ela deixou uma legião de fãs que ainda hoje acreditam que o mentor de Glee irá reparar o erro chamando-a para uma participação especial na terceira temporada (e o povo aposta em algo ligado à anorexia, que a garota admitiu ter sofrido no passado – veja vídeo abaixo).
A sétima eliminação não foi bem uma eliminação. Como a gente diz aqui no Brasil, Cameron “pediu pra sair”. Pressionado por suas crenças cristãs em um programa nada cristão, o jovem travava em toda e qualquer situação que necessitava o mínimo de envolvimento afetivo. O talento musical de Cameron nunca foi questionado, ele era ótimo. Aliás, ele É ótimo. Ainda vamos escutá-lo muito por aí (leia aqui resenha sobre o EP “Love Can Wait” que ele lançou em 2010), quem sabe até em Glee. Dando seu lugar a Damian, que era para ser o eliminado da vez, Cameron deixou o programa. Porém, ontem, após a final do programa, ele apareceu com a roupitcha dos Wrablers, o coral da escola de Blaine (Darren Criss). Quem sabe, né?
A última saída de verdade foi de Hannah, a gordinha ruiva e engraçada que nos empolgou desde o começo do programa. Hannah era tão Glee, era tão perfeita para qualquer coisa que fosse, que foi triste dar tchau. Pena ela não ter o talento vocal dos demais adversários, pois deve ter sido este o motivo que a fez ir embora. MC Hannah ganhou a minha atenção e a minha devoção em “U can’t touch this”, aliás um dos melhores vídeos na minha opinião.
E finalmente chegamos ao Top 4: Alex, Damian, Lindsay e Samuel. Desde o começo gostei de Samuel. Que cara cool e com ritmo! O mesmo aconteceu com Lindsay. Apesar de achar que ela era “bitch” demais, a sua voz me hipnotizou. Damian era o fofo que, semana após semana, tentava se superar. Já Alex, bem, não há como realmente gostar dele. O cara arrebenta nos palcos, mas é um mala sem alça arrogante no dia a dia.
No final das contas, deu metade da minha torcida. Sam ganhou o “The Glee Project”, mas não sozinho. O primeiro lugar também coube a Damian. Sim, a final teve dois vencedores (WTF?). Ambos aparecerão em sete episódios da terceira temporada. Como prêmio de consolação para Alex e Lindsay, as duas melhores vozes do show (sendo a moça a detentora também das melhores interpretações), Ryan decidiu escrever para eles personagens que aparecerão em dois episódios.
E, assim, rolou um #todosganha. Claro que isso dá menos brilho para a final, fica uma sensação de “café com leite”, mas a verdade é que os quatro finalistas possuem talentos incríveis que não poderiam ser desperdiçados. Com erros e acertos, “The Glee Project” chegou ao final mostrando que a série teen ainda tem gente qualificada para se apoiar, basta saber se as histórias criadas para esses novos talentos não serão mirabolantes demais, como aconteceu durante boa parte da segunda temporada.
Momento fofoquinha: Será que os finalistas Samuel e Lindsay estão se pegando? Tá parecendo, viu… eles estão dando toda a pinta! Isso, claro, porque Sam ainda não me conheceu, pois seria amor à primeira vista. Aliás, Lindsay é uma pegadora de marca maior, já que no programa tirou uma casquinha de Cameron e Damian (mesmo que o script não mandasse que ela beijasse os rapazes durante os vídeos)…
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