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Rafinha Bastos e a polêmica sem fim

Texto escrito por: Luiz Otero

Está virando rotina ouvir ou ler notícias a respeito de pessoas que exploram a mídia com a polêmica, com situações que beiram o mau gosto. Parece até que apelar para a ignorância virou regra para quem vive de humor. O fato mais recente envolveu o apresentador da Band, Rafinha Bastos, do CQC e de A Liga. Além de provocar uma situação de desconforto até para seus colegas de profissão, agora começa a ser alvo de investigação por parte da Justiça.

 

A primeira situação envolveu uma entrevista para a revista Rolling Stone, na qual fez uma declaração de mau gosto com mulheres vítimas de estupro. E na sequência, fez um comentário infeliz no programa de TV CQC sobre a cantora Wanessa Camargo, que por sinal está grávida. Situações desnecessárias, totalmente dispensáveis sob o ponto de vista ético e da moral.

 

Longe de mim querer fazer aqui um discurso politicamente correto. Eu acredito que o humor deve ser livre, pois precisamos mesmo brincar, descontrair com as coisas do cotidiano, que envolvem salários defasados, falta de vagas no mercado de trabalho, problemas na saúde pública, entre outros itens. O brasileiro precisa mesmo ser bem humorado para encarar um governo com uma política enxovalhada por denúncias e mais denúncias de corrupção.

 

A questão envolvendo Rafinha Bastos vai um pouco além. A exploração da mídia a seu favor, como um pseudo-paladino da cultura do politicamente incorreto, causa desconforto em quem ainda crê em um humor inteligente, capaz de descontrair e até mesmo induzir o público a uma reflexão sobre a situação atual do País.

 

Isso fica evidente, ao se divulgar uma suspensão do apresentador no programa. E logo em seguida, uma nova declaração em tom de deboche, em que ele demonstra que não está nem aí com tal medida. A emissora, por sua vez, parece até refém do apresentador, que posa como se fosse uma estrela de Hollywood, cercado por mulheres trajando lingerie.

 

Cabe aqui dizer que o CQC foi uma das melhores coisas que surgiram na televisão nos útlimos tempos. As abordagens críticas, sempre envolvendo o bom humor, hoje são referência. E, sinceramente, acredito que o programa não precisa ser alimentado com esse tipo de polêmica de mau gosto.

 

Tomemos como exemplo o humorista Sérgio Rabello, um dos precursores do stand-up comedy. Jamais soube de Rabello ter se envolvido em situação semelhante em seus mais de 30 anos de carreira. Ele conquistou o respeito e a notoriedade pautado pelo humor inteligente, antenado com situações vivenciadas pelo público no seu dia a dia. O cotidiano é a sua fonte inspiradora permanente.

 

Não vou aqui julgar o que é certo ou o que é errado nessa situação, pois isso quem faz é a Justiça. Acho até que o Rafinha foi apenas infeliz nas duas declarações. Um simples pedido de desculpas e uma postura um pouco mais comedida já serviriam para limpar a sua barra.

 

O problema é que a mídia, impressa e na internet, no afã de divulgar notícias quente, acaba alimentando esse tipo de situação, em vez de manter uma postura neutra, imparcial e, acima de tudo, crítica. Foram poucos momentos, infelizmente, que constatei abordagens críticas convincentes, como convém ao nosso surrado jornalismo diário.

 

A resposta para essa situação precisa ser dada pela sociedade. O público precisa selecionar mais as suas preferências na TV, buscar conferir a qualidade do que é apresentado. Quem vai ao show do Rafinha Bastos (em Santos, teve lotação esgotada) precisa avaliar se vale a pena ouvir piadas que pouco contribuem para melhorar o seu astral. Creio que somente assim o artista deve pensar duas vezes antes de fazer um comentário infeliz e ainda querer tirar proveito disso.


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  • Maria de Fátima da Silva

    Parece que virou moda fazerem piadas de mau gosto, principalmente em relação as mulheres. Haja vista o prórpio Rafinha, Ed Motta, e o ultimo, Bruno (da dupla Bruno e Marrone).
    Para mim, que não sou fã de nenhum deles, seria muito fácil ficar com raiva e xingar a torto e a direito, embora eu ache esse rafinha Bastos um babaca. Mas creio que essa discussão vai muito além, a questão na verdade é até que ponto se confunde a liberdade de expressão de pseudos artistas e humoristas, com a falta de respeito.
    Em relação à política, independentemente de cor partidària, nunca vi um presidente da republica ser tratado com tamanho desrespeito como foi o Presidente Lula e qualquer ação contrária já é tida como cerceamento à liberdade de expressão.
    As pessoas deveriam discutir o papel da imprensa e como diz o mestre Rubem Alves, questionar-se se “A leitura de jornais e revistas nos torna estúpidos?”. Pensemos nisso!