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Que saudade de Janet Clair…

Texto escrito por: Luiz Otero

Não sei se vocês perceberam, mas no meu convívio cresce o número de pessoas que buscam o Canal Viva (TV por assinatura) para rever novelas e minisséries antigas. Um sintoma, talvez, da falta de criatividade que abateu as produções lançadas mais recentemente pela televisão.

 

E não é para menos. Alguém é capaz de lembrar o nome dos principais personagens da última novela das sete? E a das oito, qual é o nome da personagem que assassinou Norma? E quanto às novelas da Rede Record, alguma conseguiu emplacar no gosto popular?

 

 

O fato é que nas produções recentes da Rede Globo e das concorrentes tem faltado aquele entusiasmo, o carisma que sempre norteou as novelas como ponto de convívio da família. Me lembro que as pessoas ficavam aguardando ansiosas o próximo capítulo só para saber que destino estaria reservado para o personagem principal. Mas isso era na época de Janet Clair e Dias Gomes, dois ícones do ramo da telenovela, que deixaram muita saudade.

 

Na novela Insensato Coração, o que alavancou a audiência foram as mortes violentas dos personagens. Glória Pires, que sabe bem como encarnar uma vilã sem o uso da violência, se transformou numa serial killer. Até a proeza de matar a personagem de Cristiana Oliveira com um travesseiro em um hospital ela conseguiu fazer. E isso em pleno horário nobre da TV! E acabou sendo assassinada com nada menos que três tiros na altura do peito.

 

Isso não quer dizer que as emissoras estejam deixando de investir nas produções. Os recursos técnicos utilizados são de última geração, em especial, os da Rede Globo. E houve produções até elogiadas pela crítica e que conseguiram cativar parte do público, como Caras e Bocas, do talentoso autor Walcyr Carrasco.

 

 

Temos também atores bem capacitados, tanto entre os novos como entre os veteranos, que ainda têm lenha para queimar na arte da interpretação.

 

Então, por que as novelas não conseguem deslanchar como fizeram Roque Santeiro, Que Rei Sou Eu?, O Rei do Gado, O Astro (cujo remake recente ficou abaixo da média) e tantas outras? A explicação, talvez, se resuma no conteúdo dessas produções. Dias Gomes conseguia traduzir com maestria a essência do povo dentro de roteiros mais do que geniais. Basta aguardar uma reprise de O Bem Amado (a novela, e não o filme do cinema) ou de Saramandaia para perceber isso.


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  • sara

    “caras e bocas” conseguiu cativar o público mesmo, muita gente que não via mais novela assistiu essa. eu tb gostava, mas nao sei explicar muito bem os motivos!

  • Maria de Fátima da Silva

    Talvez porque os autores tenham esquecido que novela é fantasia, é dramalhão, é o bem vencendo o mal, as histórias de amor bem construídas, os mistérios, o mocinho heróico, corajoso, a mocinha sofredora, dramática, o vilão, então, muito malvado e, no final, os reencontros, os castigos, as lágrimas emocionadas!
    Vejam Cordel Encantado, por que faz sucesso? Será que é porque todos estes elementos estão presentes!

    • Luiz Otero

      Realmente, Maria de Fátima. Cordel Encantado foi uma exceção nesse contexto atual de marasmo na TV. Produão caprichada, boas atuações e uma história convincente para o público. Valeu pela visita e volte sempre!

  • Maria de Fátima da Silva

    Luiz, eu sempre estou por aqui!

  • Tatiana Lopes

    Também concordo com a Maria de Fátima. Adoro Cordel Encantado, não só pela história, mas pela fotografia.

  • Marco

    Luiz vc mandou bem. Eu como um ex-noveleiro acredito que o que nos falta são autores que traduzam o gosto popular,como vc mesmo disse.

    Acrescento à lista Pecado Capital (1ª versão), Estúpido Cupido, Anjo Mau (1ª versão), Guerra dos Sexos, entre outras. As pessoas discutiam o dia a dia das telenovelas em todos os locais. Hoje somos órfãos.
    Abs

  • Amanda Santoro

    Então, gente, o negócio é que os atores estão deixando muito a desejar também. Os mocinhos têm se esquecido de passar pela fila do “sal”, né. O que era Paola Oliveira e Eriberto Leão na TV? Absolutamente nada. Os vilões roubam todas as atenções, e isso não é de hoje. Alguns exemplos são Gabriel Braga Nunes e Glória Pires (Insensato Coração), Patrícia Pillar (A Favorita) e Mariana Ximenes e Reinaldo Gianechini (Passione). Isso só para citar os mais recentes.

    Gostei muito de “Caras e Bocas”. Nos últimos 5 anos foi a única novela que realmente acompanhei. “Cordel Encantado” me parece ótima, mas o horário não colabora, rs. Detalhe que o casalzinho da foto acima, Isabelle Drummond e Miguel Rômulo, faz par romântico em ambos os folhetins. Aliás, pretendo escrever um texto sobre esses casais que se repetem…

    Agora o resto? Bem, só porcaria. O que é aquela “Morde e Assopra”? Ridículos aqueles dinossauros, mais ridículos ainda são os robôs. Tá certo que o horário das sete é conhecido pelo tom descontraído e bem humorado, mas acho que dessa vez exageraram no tom.

    Volte “A Próxima Vítima”, volte!

  • Camilla

    Morde e Assopra tem um elenco prá lá de talentoso. Núcleos engraçados com sátiras que no início pareciam não emplacar, mas ganhou a graça de muito noveleiros que hoje trocam as oito pelas sete, fácil, fácil. Aos poucos a humilde Dulce, o mau caráter de Guilherme, ou Guilerme, o concursado Sargento Xavier “é ossoo”, e outros coadjuvantes foram ganhando notoriedade a cada capítulo.

  • Camilla

    Concordo com a parte dos dinossauros, é muito ruim. Mas o empenho de Cássia Kiss ao interpretar Dulce é excelente. Tão bom que tenho até dó da personagem.

  • Cláudio Amaral

    Caro Amigo Otero: pense no seguinte = quantas atrações mais tínhamos nas épocas das novelas antigas e quantas temos agora? Creio que essa pergunta mata tudo. Ou não? Abraços, Cláudio Amaral

  • Rafael Motta

    O Cláudio parece ter matado parte da charada: há muitas formas de lazer que, hoje, concorrem com as novelas. Mas acho que a outra parte do mistério está na falta de empenho da geração mais nova. É como no futebol: o negócio é estourar na mídia e ganhar dinheiro antes de comer feijão e arroz para ter “sustança”. Por isso o canal Viva ganha audiência: é um tempo bom da dramaturgia (mas que, de certo modo, ajudava a alienar as pessoas da realidade cotidiana) que não voltará. Abraço.