Pérolas do Passado: “O Grande Ditador” (1940)
Desde o término da Segunda Guerra Mundial, muita gente ainda acha impossível que algo no estilo do nazismo possa voltar a ter espaço. Filmes como “A Onda” (que possui uma versão norte-americana e outra alemã) e fatos atuais como os partidos conservadores que ganham força pela Europa (defendendo a expulsão dos imigrantes) mostram apenas o contrário. Se antes era o judeu, hoje é o imigrante e o árabe. E em certos momentos, a população precisa de um tapa na cara para acordar. Quem já deu esse “sacode” na sociedade foi Charles Chaplin em uma das suas maiores obras-primas: “O Grande Ditador” (1940).
Mais uma vez satirizando em seu melhor estilo, Chaplin retorna com seu clássico papel de barbeiro judeu e, dessa vez, o cineasta também dá vida ao ditador Adenoid Hynkel. Além de ironizar os discursos do governante e seu relacionamento com 0 ditador Benzini Napolini, Chaplin mostra a violência que cercava o judeu em épocas totalitárias.
Com referências mais do que óbvias a Adolf Hitler (Hynkel) e Mussolini (Napolini), “O Grande Ditador” é um dos filmes mais fortes de Chaplin e seu primeiro totalmente falado. E como ele conseguiu mudar a sua forma já estabelecida? Sem grandes dificuldades. Os diálogos de “O Grande Ditador” são fortes e as cenas de humor continuam presentes. É incrível como Chaplin teve coragem de enfrentar a sociedade da década de 40, mostrando a sua ideologia política contra o sistema nazi-fascista. Como resultado, foi considerado socialista e expulso dos Estados Unidos.
Cenas como a do globo, a disputa de ego entre Napolini e Hynkel e o discurso no final do filme são esmagadoras e geniais, e são alguns dos motivos para assistir a este clássico (caso você ainda não tenha visto). Claro, o filme vai além disso, mas essas imagens estão marcadas até hoje na história do cinema, principalmente a do globo e a do discurso que, particularmente, gosto muito. Claro que o filme não é tão engraçado como os anteriores por adotar um tom mais sério e político, mas foi justamente isso que o transformou em uma grande obra-prima.

“O Grande Ditador” nos incita a pensarmos em tudo o que está acontecendo, principalmente na Europa, em locais como Noruega e França. Voltamos ao nazismo e ao facismo? Não, porém, se deixarmos esses fatos de lado – como Inglaterra e outros países ignoraram o aumento das potências militares da Itália e Alemanha na época do entre guerras – podem ter certeza que em breve teremos uma nova crise mundial. Esta, porém, não será econômica ou política. Será social.
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