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“Peixe Vivo” foge do perfil do espetáculo infantil

Texto escrito por: Danielle Borges

Normalmente evito ler as sinopses das peças porque gosto de ser surpreendida quando vou ao teatro. Acho ruim criar expectativas em cima de textos bem escritos ou prejulgar o espetáculo só porque não foi bem apresentado. Se o título me agrada ou se a história é conhecida ou ainda se a montagem é baseada em algum clássico, lá vou eu desvendar um mundo novo. Dias atrás, quando entrei na fila para assistir Peixe Vivo e encontrei dúzias de crianças acompanhadas de seus responsáveis, achei que veria uma apresentação tipicamente infantil, com palhaços, piadas simplórias e músicas engraçadinhas. Mas o que assisti foi bem diferente e agradou bastante.

 

Peixe Vivo é uma produção do Grupo Pasárgada, que acumula 40 anos de experiência com o público infantil. Antes de chegar a São Paulo, a montagem vem sendo apresentada há pouco mais de um ano em diversas cidades do interior paulista e de Minas Gerais de forma itinerante. Exatamente por este detalhe é que vale a pena parar no meio da tarde de um final de semana para acompanhar os pequenos nesse programa. Um dia eles agradecerão por ter assistido esta peça cheia de peculiaridades e carregada de regionalismo.

 

Apesar de ser indicada para crianças, nada impede que adultos se divirtam e se encantem com a história, na verdade várias delas. O fio condutor fica por conta de uma garotinha que tira o peixinho dourado do aquário da irmã na intenção de soltá-lo em uma bacia, depois num riacho e de lá para o mar. Tudo para que ele possa crescer, conhecer o mundo e voltar para contar o que viu. A menina passa então viver com a esperança de reencontrar seu amigo e assim envelhece. À sua volta, pescadores, lavadeiras, caipiras e boiadeiros, todos também com muitos causos para contar durante os longos anos de espera. São histórias que passam de boca em boca, de geração em geração.

 

 

Além de poesia, a peça apresenta diversas cantigas populares com coreografias que animam as crianças e fazem com que adultos voltem no tempo. São seis atores revezando entre 13 personagens, muitos deles cativantes. Todos cantam ou tocam algum instrumento. Destaque para o trabalho do ator Ricardo Aguiar, que acertou na medida a interpretação de um pescador, de um caipira e de um boiadeiro. Com simplicidade, ele faz graça sem ser caricato.

 

A peça é recomendada para crianças a partir de 7 anos, estreou  em 1º de outubro e fica em cartaz até 6 de novembro de 2011 com apresentações aos sábados e domingos às 16h no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho. Ingressos a R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia). Vale chegar um pouco mais cedo e circular pelas lojinhas do Centro Cultural. Tem várias coisas legais!

 

“Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria
Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria

Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia”

 

 

Como nem tudo são flores, preciso falar que a nota negativa vai para a sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo. O espaço tem tamanho na medida certa, ótima disposição das cadeiras e boa acústica. O problema está no chão e no ar. O lugar é todo revestido de carpete e deve abrigar mais de um milhão de ácaros por centímetro quadrado, o que somado ao ar condicionado, forma o ambiente propício para atacar qualquer rinite, até as mais adormecidas.


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