“Peixe Vivo” foge do perfil do espetáculo infantil
Normalmente evito ler as sinopses das peças porque gosto de ser surpreendida quando vou ao teatro. Acho ruim criar expectativas em cima de textos bem escritos ou prejulgar o espetáculo só porque não foi bem apresentado. Se o título me agrada ou se a história é conhecida ou ainda se a montagem é baseada em algum clássico, lá vou eu desvendar um mundo novo. Dias atrás, quando entrei na fila para assistir Peixe Vivo e encontrei dúzias de crianças acompanhadas de seus responsáveis, achei que veria uma apresentação tipicamente infantil, com palhaços, piadas simplórias e músicas engraçadinhas. Mas o que assisti foi bem diferente e agradou bastante.
Peixe Vivo é uma produção do Grupo Pasárgada, que acumula 40 anos de experiência com o público infantil. Antes de chegar a São Paulo, a montagem vem sendo apresentada há pouco mais de um ano em diversas cidades do interior paulista e de Minas Gerais de forma itinerante. Exatamente por este detalhe é que vale a pena parar no meio da tarde de um final de semana para acompanhar os pequenos nesse programa. Um dia eles agradecerão por ter assistido esta peça cheia de peculiaridades e carregada de regionalismo.
Apesar de ser indicada para crianças, nada impede que adultos se divirtam e se encantem com a história, na verdade várias delas. O fio condutor fica por conta de uma garotinha que tira o peixinho dourado do aquário da irmã na intenção de soltá-lo em uma bacia, depois num riacho e de lá para o mar. Tudo para que ele possa crescer, conhecer o mundo e voltar para contar o que viu. A menina passa então viver com a esperança de reencontrar seu amigo e assim envelhece. À sua volta, pescadores, lavadeiras, caipiras e boiadeiros, todos também com muitos causos para contar durante os longos anos de espera. São histórias que passam de boca em boca, de geração em geração.
Além de poesia, a peça apresenta diversas cantigas populares com coreografias que animam as crianças e fazem com que adultos voltem no tempo. São seis atores revezando entre 13 personagens, muitos deles cativantes. Todos cantam ou tocam algum instrumento. Destaque para o trabalho do ator Ricardo Aguiar, que acertou na medida a interpretação de um pescador, de um caipira e de um boiadeiro. Com simplicidade, ele faz graça sem ser caricato.
A peça é recomendada para crianças a partir de 7 anos, estreou em 1º de outubro e fica em cartaz até 6 de novembro de 2011 com apresentações aos sábados e domingos às 16h no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho. Ingressos a R$ 15,00 e R$ 7,50 (meia). Vale chegar um pouco mais cedo e circular pelas lojinhas do Centro Cultural. Tem várias coisas legais!
“Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria
Como pode o peixe vivo
Viver fora da água fria
Como poderei viver
Como poderei viver
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia
Sem a tua, sem a tua
Sem a tua companhia”
Como nem tudo são flores, preciso falar que a nota negativa vai para a sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo. O espaço tem tamanho na medida certa, ótima disposição das cadeiras e boa acústica. O problema está no chão e no ar. O lugar é todo revestido de carpete e deve abrigar mais de um milhão de ácaros por centímetro quadrado, o que somado ao ar condicionado, forma o ambiente propício para atacar qualquer rinite, até as mais adormecidas.
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