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O teatro abre suas portas para a rua Augusta

Texto escrito por: Danielle Borges

Apesar do título da montagem “Na infinita solidão dessa hora e desse lugar” dar a impressão de ser um monólogo, são cinco atores em cena, forte apelo visual e auditivo, além de técnicas teatrais mescladas. Este não é o tipo de espetáculo pronto, nem fácil de absorver. Não se trata de um enredo fechado em si. É um trabalho complexo, com muita informação e que demanda reflexão. Está mais para aquelas raras intervenções na vida que nos fazem mudar o modo como pensamos sobre alguma coisa.

 

A Cia. Corpos Nômades fez a pré-estreia no dia 1o de dezembro e admitiu que a montagem pode sofrer adaptações no decorrer da temporada, que vai até 18  de dezembro. De acordo com João Andreazzi, ator, diretor e criador do espetáculo, trata-se de um experimento, no qual cada elemento pode ser alterado conforme a necessidade da própria apresentação. “A cada encenação, novas ideias aparecem e vamos incorporando ao contexto. Até o último dia muita coisa pode mudar”, admitiu Andreazzi com entusiasmo.

 

A montagem inclui voz, música, luz e corpo. Em cena, elementos aparentemente incompatíveis são colocados lado a lado para descrever uma Rua Augusta que muitos conhecem, mas poucos observam e quase nenhum de nós entende. Uma tradicional rua da cidade de São Paulo que abriga todos os dias trabalhadores, desocupados, prostitutas, drogados, gente a procura de diversão, bares, boates, teatros, escritórios, automóveis e muito lixo, como em qualquer rua do Centro. Tudo num só lugar, nesse lugar.

 

 

A peça tem um impacto absolutamente individual na plateia. Independente disso, a sensação geral parece ser a de que a Rua Augusta guarda mais surpresas do que podemos imaginar ao passar por ela. O destaque vai para a iniciativa de fazer com que a realidade da rua seja inserida no espetáculo, o que faz com que cada apresentação seja única e diferente num determinado momento quando as portas do teatro literalmente se abrem para convidar a entrar o que há lá fora. Grande sacada!

 

“Na infinita solidão dessa hora e desse lugar” tem curta temporada em 2011, mas retorna no ano que vem. Em cartaz de quinta a sábado no Espaço Cênico O Lugar, não por acaso localizado na Rua Augusta. A montagem, na verdade, é um diamante que precisa ser lapidado, como o próprio diretor reconheceu, mas para quem curte complexidade, é um prato cheio para a imaginação. Apenas um lembrete: vá prevenido para possíveis atrasos. Na pré-estreia foram 52 minutos de espera até começar. Justificativas à parte, respeito com o público é imprescindível.


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    Boa, Dani!!!!! Te conhecer foi bem bacana! Beijo