O realismo é o maior pecado de “Luck”, a nova série da HBO
O que pode dar errado quando a produção de uma série reúne nomes como Michael Mann (O Informante), Dustin Hoffman (“Rain Man”), Nick Nolte (O Príncipe das Marés) e tem a marca HBO por trás? Tem tudo para ser um grande sucesso não é? É, mas “Luck” dificilmente será. Especialmente se o êxito for definido pela audiência.
A série, que estreou no dia 29 de Janeiro, foi propositalmente pensada para ser um mergulho profundo no mundo do turfe, tirando uma tangente em outros jogos de azar. Uma experiência de real imersão no mundo das corridas de cavalo: hipódromo, proprietários de animais, treinadores, jóqueis, apostadores (ocasionais e habituais), mafiosos que tentam tirar proveito do jogo e tudo mais que você possa pensar. Para alguém versado nesse universo, a série é um prato cheio. Para a maioria dos mortais, infelizmente, ela será uma caixa preta. O criador David Milch (“NYPD Blue”) disse ter feito um grande esforço para evitar que “Luck” ficasse incompreensível para muitos. Infelizmente, não foi o suficiente.
Ace Bernstein (Dustin Hoffman) é um mafioso da velha guarda que fez fortuna gerenciando jogos de azar ilegais. Acaba preso injustamente por tráfico de drogas, assumindo a culpa para não dedurar seu sócio. Ao sair da prisão – em liberdade condicional – é recepcionado por Gus Demitriou (Dennis Farina), seu motorista, amigo e confidente há muitos anos. Ace quer vingança e como parte do seu plano precisa comprar um hipódromo na Califórnia, Estado onde os cassinos são ilegais. Sua ideia é organizar a jogatina tendo as corridas de cavalo como fachada e o hipódromo como lavanderia monetária.
Fico especialmente triste com o resultado final por ver em “Luck” muitas qualidades. As cenas das corridas são lindas e filmadas como se cada um de nós fosse um jóquei no hipódromo de Santa Rita na Califórnia. Os personagens são interessantes e cheios de possibilidades. Desde o mafioso recém-libertado da cadeia após cumprir (pasmem!) pena por um crime que não cometeu, passando por um gênio das apostas em cavalos, mas que é viciado em pôquer, até chegar a um amargurado treinador veterano que vê em um novo animal sua chance de redenção. A busca pelo realismo e verossimilhança é admirável, mas ao mesmo tempo é isso que faz a série pouco palatável para a maioria das pessoas. Definindo “Luck” em uma palavra, ela é hermética.
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Ficha Técnica:
Elenco:
Dustin Hoffman (“Tootie”) – Chester “Ace” Bernstein
Dennis Farina (“Saving Private Ryan”) – Gus Demitriou
John Ortiz (“The Job”) – Turo Escalante
Richard Kind (“Spin City”) – Joey Rathburn
Kevin Dunn (“Transformers”) – Marcus
Ian Hart (“Dirt”) – Lonnie
Ritchie Coster (“American Gangster”) – Renzo
Jason Gedrick (“Necessary Roughness”) – Jerry
Kerry Condon (“Rome”) – Rosie Shanahan
Gary Stevens (*) – Ronnie Jenkins
Tom Payne (“Beautiful People”) – Leon Micheaux
Jill Hennessy (“Autumn in New York“) – Jo
Nick Nolte (“Hulk”) – Walter Smith
(*) Gary L. Stevens faz sua estreia como ator. Ele foi um jóquei de sucesso que obteve vitórias importantes como o Kentucky Derby, o Preakness Stake e o Belmonte Stakes durante sua carreira.
Produtores:
David Milch (“Hill Street Blues”)
Michael Mann (“Collateral”)
Carolyn Strauss (“Treme”)
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