rss
 

“O Preço do Amanhã” tem ideia brilhante, mas peca na execução

Texto escrito por: Amanda Santoro

Tempo é dinheiro. Quantas vezes você ouviu essa frase? Eu, particularmente, sou heavy user da expressão. E é justamente essa premissa que permeia a nova trama protagonizada por Justin Timberlake e Amanda Seyfried. Sem meias palavras afirmo que “O Preço do Amanhã” tem um ponto de partida genial, pena que isso acaba se perdendo neste filme tipicamente hollywoodiano.

 

Em um futuro não muito distante, as desigualdades entre ricos e pobres continuam gritantes. Agora, porém, a moeda de circulação não é dinheiro, mas sim tempo. Cada cidadão possui um relógio subcutâneo em seu braço que é ativado no momento em que completa 25 anos de idade. A partir daí, o cronômetro entra em contagem regressiva e a pessoa tem somente um ano “extra” para adquirir mais tempo para sobreviver – caso contrário, morre.

 

 

A grande sacada do filme é que as pessoas simplesmente param de envelhecer aos 25 anos. Avó, mãe, filha… todas parecem ter a mesma idade. E neste mundo de aparências, para que alguns ricaços sejam imortais, boa parcela da população deve sucumbir precocemente (para evitar a superpopulação mundial). Os ricos, claro, contam com relógios que marcam centenas de anos, tempo suficiente para dar e vender. Os pobres, ao contrário, lutam por minutos – todo dia é uma corrida contra a bomba-relógio que carregam em seus braços.

 

Nesse contexto surge o desafortunado Will Sallas (Timberlake), que recebe de um milionário entediado – antes de se suicidar – uma quantia de tempo inimaginável para a sua classe social (quando você sabe que dificilmente morrerá, a vida pode ser muito enfadonha).  Com o único pedido de “não desperdiçar o tempo recebido”, Sallas resolve ser uma espécie de Robin Hood do futuro. É neste momento que seu caminho se cruza com o de Sylvia Weis (Seyfried), moça da mais alta sociedade que está cansada de sua vidinha sem riscos e aventuras. Juntos, eles foram uma espécie de “Sr. e Sra. Smith”, ludibriando até mesmo o veterano policial interpretado por Cillian Murphy.

 

Como já disse acima, a premissa é genial. Essa sacada de contabilizar a vida em “tempo”, quando ele literalmente é dinheiro, poderia dar muito pano pra manga. Porém, mordendo a maçã da tentação que cerca todo filme criado em Hollywood, o longa-metragem fica extremamente comercial. Tiros, corre-corres, explosões e até mesmo um romance improvável. Quando os roteiristas vão parar com essa história de “Romeu e Julieta” modernos? Já deu!

 

 

Eu, particularmente, adoro Amanda Seyfried. Acho que a atriz se destaca, dá show e é difícil vê-la fora do tom. Isso não muda em “O Preço do Amanhã”. Justin Timberlake vem em uma ascensão impressionante nos cinemas. É filme atrás de filme, um sucesso de bilheteria atrás do outro. Ele é bom? Sim, é, mas ainda falta um papel grande, exigente, perturbador… o que não é o caso de Will Sallas. Receio que isso leve ainda alguns anos para acontecer – aliás, ele bem que podia voltar a cantar, não? Eu gostava dele como cantor!

 

Cillian Murphy é um caso à parte. Sempre gostei das atuações do ator, por mais que ele nunca tenha um papel à altura do seu potencial. Inacreditável, mas o público realmente acredita que aquela pessoa com cara e corpo de 25 anos é um policial veterano que já passou dos 50. Em contrapartida, Olivia Wilde – que interpreta a mãe de Timberlake no filme – não convence nadica de nada. E quando eu digo nada, é nada MESMO.

 

A minha tristeza é ver que a boa ideia de “O Preço do Amanhã” foi desperdiçada, ignorada pelo público que provavelmente escolheu o filme para dar uns amassos no escurinho do cinema. Até que ponto grandes bilheterias valem a pena? Tudo bem, estamos falando de muito dinheirinho no bolso, mas será que não seria melhor lucrar menos e, talvez, ser apontado como um novo clássico moderno? Todas as discussões interessantes que a película poderia incitar foram jogadas no ralo entre tantas explosões sem sentido.


Gostou do texto acima? Saiba então que o Lérias & Lixos também faz a sua diversão no Twitter, no Facebook, no Youtube e no Orkut. A gente se vê por lá!