O canto do Leão
Parece ser a última chance de Leão. Ele esteve em alta até o São Paulo, quando abandonou a equipe para dirigir um clube no Japão. Depois seguiu uma curva descendente até a aparente aposentadoria, que acabou de ser interrompida. O quadro é interessante para o clube tricolor: técnico experimentado, campeão brasileiro (pelo Santos) e acostumado a trabalhar com os mais jovens. Creio que o momento é positivo para ambos os lados, muito embora seja cedo para chegar a uma conclusão.
Vamos relembrar um pouco da primeira campanha dele no comando do São Paulo em 2004 e 2005. Na primeira passagem conquistou um título – o Campeonato Paulista – e já sendo ex-treinador viu o time que montou ser campeão da Copa Libertadores e do Mundial nas mãos de Paulo Autuori.
Nesse período que esteve à frente do time, Emerson Leão comandou 45 jogos e teve um aproveitamento de 27 vitórias. Para se ter uma ideia de como o planejamento apontado como “modelo” vem falhando desde então, basta analisar um dado. Desde a saída de Leão, em 2005, nenhum treinador conseguiu ter um aproveitamento maior que 68,8% nas temporadas seguintes.
Não acredito que ele seja um dos melhores treinadores do mundo. Números às vezes enganam a gente, afinal nesse período ele só ganhou um título e Muricy Ramalho, que chegou ao São Paulo em 2006, foi responsável pelo tri campeonato seguido do Brasileirão. Apesar de ser um clube grande, a diretoria vem agindo por impulso e não oferece um tempo seguro para os treinadores desenvolverem suas atividades.
Leão chega com a fama de “linha dura” e com vasto currículo como treinador. A cotação do nome dele quase passou despercebida se não fosse o ex- superintendente do São Paulo, Marco Aurélio Cunha. Ele “cantou” o nome de Leão quando a imprensa estava focada em outros medalhões, como Felipão, Falcão e Rene Simões. O nome do atual treinador do São Paulo ficou ali escondido na gaveta, ou se preferirem, no fundo da jaula.
O reencontro de Leão com o time do Morumbi veio depois de uma semana de silêncio da diretoria. O presidente Juvenal Juvêncio não falava com a imprensa. Pela hierarquia sobrou para quem estava abaixo dele, o vice-presidente de futebol, João Paulo de Jesus Lopes.
Sabiamente e experiente, o dirigente não falava em nomes e só repetia o discurso que estavam estudando as possibilidades. O São Paulo empatou em casa contra o Coritiba, no último domingo, a torcida não gostou nada e até vaiou o time. Em menos de 24 horas estava anunciada a chegada de Emerson Leão.
O técnico já tomou sua primeira decisão que agrada a diretoria do São Paulo, principalmente Juvenal Juvêncio, e pode prolongar sua estadia no time. Leão não levou o meia Rivaldo para o Paraguai, de fora do jogo contra o Libertad. O penta campeão não reclamou publicamente, mas aproveitou para ir ao Twitter e falar que segue trabalhando. Leão disse há quase um mês que gostaria de esquecer as polêmicas, mas será mesmo que ele quer abandonar a fama de “personalidade forte”?
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Daniel BS
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http://igoresportes.blogspot.com/ Igor Sausmikat
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André Costa









