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Nara Leão, onde quer que brilhem os olhos seus

Texto escrito por: Luiz Otero

Poderia falar ou escrever setenta vezes ou mais sobre Nara Leão. E a definição seria sempre a mesma: uma intérprete que esteve sempre a frente de seu tempo, sem nunca deixar de revisitar o passado com genialidade. Uma personalidade tremendamente apaixonante, um anjo cantor que cativou um espaço especial no coração do público brasileiro.

 

Quando surgiu, Nara Leão era vista como uma espécie de musa dos festivais. E logo depois estava ao lado do movimento contrário a Ditadura Militar que se instalou na primeira metade da década de 60 no País. Seus shows no Teatro Opinião registrados em disco até hoje são referência cultural. Sua carreira nos anos 70/80 foi marcada sempre por lançamentos musicais de qualidade, mesclando suas principais influências, em especial, a bossa nova e os compositores de sua época, como Roberto Carlos e Chico Buarque.

O nome Nara Leão soava como sinônimo de suavidade e qualidade nos discos. Sua voz sempre doce, passeava com maestria pelos mais variados ritmos e estilos musicais, inclusive os que mais se aproximavam da música pop comercial, digamos assim. Sua morte precoce em 1989, motivada por um tumor no cérebro, deixou uma lacuna não preenchida. Sua obra segue sendo reverenciada, apesar de parte de sua discografia estar fora de catálogo. Prova disso foi o elogiado disco de Fernanda Takai, com releituras de canções gravadas por Nara.

 

Se estivesse viva, Nara teria completado 70 anos em 19 de janeiro. Para marcar a data, a filha de Nara, Isabel Diegues, conseguiu lançar um site oficial (www.naraleao.com.br), no qual o internauta pode ouvir toda a discografia de Nara, além de obter informações e imagens que ajudam a contar a trajetória do anjo cantor. E assim, nós temos muito mais motivos para curtir a sua obra incrivelmente perene. Onde quer que brilhem os olhos seus.

 

Isabel Diegues atendeu uma solicitação do site Lérias e concedeu uma entrevista por e-mail, na qual falou sobre alguns projetos que estão em andamento, além de ressaltar a importância da presença da obra da mãe na rede mundial de computadores. “O retorno das pessoas superou todas as nossas expectativas. O público realmente ama a Nara Leão”.

 

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Lérias – Como foi que se deu e quanto tempo levou o processo de elaboração do site?

Isabel Diegues – Trabalhamos durante três anos, mas com várias interrupções. Toda a pesquisa foi feita por Frederico Coelho e o design e a engenharia do site foi feita pela 6D.

 

Lérias – Não houve interesse das gravadoras para auxiliar na elaboração do site?

Isabel Diegues – Nós também não pedimos. Apenas avisamos a eles que faríamos o site e eles não se pronunciaram. Não ajudaram, mas também não atrapalharam.

 

Lérias – Qual o argumento das gravadoras para não colocar a disposição do público a discografia da Nara Leão?

Isabel Diegues – Não há argumentos oficiais. As gravadoras sofrem até hoje a falta de relação com as mudanças no mundo e no mercado fonográfico. Talvez agora com a iTunes no Brasil eles se interessem em disponibilizar os discos, já que não teriam mais que imprimir e fazer capas e tais. Portanto, já que não teria para as gravadoras custo algum.

 

Lérias – No contexto atual do mercado, assolado pela pirataria, Nara Leão teria espaço na mídia?

Isabel Diegues – Não sei responder a essa pergunta. Não temos como saber o que Nara estaria fazendo hoje, se estivesse viva. Mas o que posso dizer é que tenho recebido muitos e-mails e parabenizações e que muita gente que não tinha mais como ouvir Nara, está feliz da vida por ter o site com a obra disponível.

 

Lérias – A versatlidade de Nara como intérprete é uma característica marcante em sua carreira. Que outro ponto você destacaria?

Isabel Diegues – Sua inquietação e curiosidade, sempre buscando coisas novas, sem negar o passado.

 

Lérias – Há alguma previsão de programação festiva para comemorar os 70 anos do nascimento de Nara Leão?

Isabel Diegues – Existem alguns projetos em curso. Um livro, uma peça de teatro. Mas nada confirmado, por enquanto.


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