Não ignore “As Vinhas da Ira”
Uma grande obra que deu o Prêmio Pulitzer a John Steinbeck. O livro conta a história da família Joad que, expulsa pela seca dos campos de algodão de Oklahoma, embarca em uma viagem sem volta para tentar a sobrevivência como bóias-frias nas plantações de frutas do Vale de Salinas, na Califórnia. Os Joad perseguem a ilusão de que as plantações de laranjas garantiriam emprego fácil e, assim, voltariam a viver com dignidade.
A bordo de um velho caminhão, a família segue pela famosa Rota 66, com pouco dinheiro, vivenciando dificuldades sem tamanho. Ao mesmo tempo em que denuncia os dramas e flagelos de um país debilitado pela Grande Depressão dos anos 30, Steinbeck defende o conceito de que o indivíduo isolado nada vale, e a sobrevivência só é possível quando existe solidariedade entre os semelhantes.
Após um longo caminho finalmente eles chegam ao tão sonhado destino e ali começa a desilusão. Eles entram em contato com o mundo de miséria ocultado pela suposta prosperidade capitalista. Aos trancos e barrancos, descobrem fazer parte de um imenso contingente de trabalhadores expulsos de suas terras, e desesperados por qualquer tipo de colocação nas novas formas de emprego que se estabelecem.
O romance é um retrato trágico e belo dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Vale lembrar que John Steinbeck ainda recebeu o prêmio Nobel da Literatura em 1962. São também obras de sucesso do autor “Vidas Amargas”, “A Leste do Éden”, “Boêmios Errantes”, “Ratos e Homens”, entre outros.
No ano de 1940, “As Vinhas da Ira” foi adaptada para o cinema com Henry Fonda no papel principal com posterior indicação para o Oscar. No ano seguinte, levou duas estatuetas nas categorias de melhor diretor (John Ford) e melhor atriz coadjuvante (Jane Darwell).
A seguir, um aperitivo da obra de Steinbeck:
“Os pequenos proprietários não tardavam a mudar-se para as cidades, onde esgotavam o seu crédito, os seus amigos, as suas relações. E depois eles também caíam nas estradas. E as estradas estavam cheias de homens ávidos de trabalho, prontos para matar pelo trabalho (…) as companhias e os bancos trabalhavam para sua própria ruína, mas não sabiam disso. Os campos estavam prenhes de frutas, mas nas estradas marchavam homens que morriam de fome. Os celeiros repletos, mas as crianças pobres cresciam raquíticas. (…) As grandes companhias não sabiam o quão tênue era a linha divisória entre a fome e a ira.”
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Thiago
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