Livro mostra Adele muito além das músicas tristes
No começo de 2012 chegou às livrarias brasileiras o livro Adele, de Chas Newkey-Burden. Lançada pela editora LEYA, a biografia de uma das artistas inglesas mais conhecidas no mundo pega carona no furacão soul que encantou o mundo com Someone Like You, Rolling in the deep, Make you feel my love, Rumour has it, entre outros, e busca mostrar a trajetória desse jovem sucesso.
Em quase 200 páginas, o autor descreve de forma detalhista quem é a britânica de apenas 23 anos que faz fãs chorarem ao redor do mundo com seus dramas pessoais e amorosos. De sua infância humilde, passando pelo afastamento do pai e pelo ingresso na BRIT (escola de Artes do governo, na qual também estudaram Amy Winehouse, Leona Lewis e Jessie J), a obra mostra que tem tudo para desmistificar a mulher que existe por trás de melodias e letras tão depressivas.
A história de Adele encanta desde a primeira linha, coisa que não acontece com o texto de Chas que às vezes parece preguiçoso (precisa repetir tanto os parágrafos?). A tradução também não ajuda e acaba por deixar algumas sentenças e passagens da vida da cantora sem liga ou motivo aparente para serem publicadas, mas como a obra fala de Adele todos esses imprevistos são ultrapassados e já na metade do livro fica impossível não cantarolar uma música da artista entre o virar das páginas.
Adele também fala sobre as infindáveis e intermináveis comparações que surgem entre ela e Amy Winehouse, fala de seu amor pelo pop e por artistas como Gaga, Britney, Rihanna e Beyoncé, além de sua profunda irritação pelos paparazzi. E são exatamente as declarações de Adele que fazem da obra uma leitura divertida! Em um dos capítulos, por exemplo, o autor aborda as indagações feitas pelos críticos e jornalistas sobre o peso de Adele quando ela iniciou sua turnê pelos EUA e, brilhantemente, ela responde: “Eu sabia que me perguntariam – especialmente aqui, com a coisa toda de Hollywood – se eu me sentia pressionada a emagrecer. Não acho que isso seja importante. Acho que já teve mais importância, e acredito que as pessoas estão mais preocupadas em comentar sobre a sua aparência do que sobre suas atitudes. Eu gravei um disco. Não quero estampar a capa da Playboy. Quero estampar a capa da Rolling Stones, vestida.”
Com isso você percebe que muito diferente do que imaginamos depois de ouvir os álbuns “19″ e “21″, Adele é aquele tipo de pessoa da qual todos gostam de ser amigo, pois é engraçada, sincera e inteligente. Não se assuste também se depois da leitura você correr atrás de apresentações memoráveis citadas na obra como a de uma leve chuva de glitter de “Someone Like You” ou da pequena participação no seriado Ugly Betty. Também deverá bater em você a vontade de ouvir novamente os álbuns da cantora prestando atenção à letra e história de cada uma das canções.
Por fim, o livro Adele tenta e consegue mostrar a artista por trás das musicas melancólicas e a mulher que existe dentro dessa artista, torcendo que para no fundo Adele nunca deixe de ser “uma pessoa como você”.
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