Integridade, lealdade, fé e decepção marcam “Tudo Pelo Poder”
Com apenas um ano para a corrida presidencial americana, Tudo Pelo Poder mergulha fundo nos bastidores recheados de falsas impressões das campanhas políticas.
O “está em todas” Ryan Gosling já foi criticado por ter uma quedinha por papeis “extremos demais” (ou perturbados mesmo, se você preferir) – comentários não totalmente absurdos. Tá, ele consegue interpretar um tipo de personagem difícil, mas não é por isso que deve se restringir ao estereótipo. Eis então que depois da comédia Amor a Toda Prova, Gosling interpreta de forma sutil, e não menos poderosa, Stephen Myers, um personagem sério e tão normal quanto qualquer assessor político consegue ser. Seu chefe é um governador em plena campanha para presidente dos Estados Unidos, papel de George Clooney, que depende dos resultados do Estado de Ohio para garantir a vitória.
O jogo com os adversários e a imprensa, esta última representada pela jornalista Ida (Marisa Tomei), marca este filme que não se propõe a ser apenas mais um, e acerta em cheio ao atingir os espectadores e levar a reflexões. No meio do trabalho político, relações são criadas entre candidatos, assessores e empregados dessa grande campanha que pode mudar o futuro do país – e são essas relações o real enfoque do filme.
George Clooney mostra que tem boa mão para direção e assina ainda roteiro e produção (um dos produtores executivos foi Leonardo DiCaprio, que preferiu ficar na surdina). A trilha sonora é previsível, porém funcional e ajuda a carregar esse longa que remete a Frost/Nixon por ter potencial de agradar também o público internacional, apesar da sua carga política. A abordagem e direção de Clooney mantêm a trama atraente, principalmente pelo fato de o filme tratar, acima de tudo, de integridade, lealdade, fé e decepção.
No elenco também está Philip Seymour Hoffman, Even Rachel Wood e Paul Giamatti. Estreia no Brasil de 23 deste mês.
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