“Imortais” é uma péssima escolha para ver no cinema
Após o lançamento de “300″, blockbuster de Zack Snyder que teve estrondoso sucesso, muitos filmes e séries que tratam sobre gregos, romanos, mitologia e afins tentaram seguir seu estilo, ou até mesmo superá-lo. A série “Spartacus: Sangue e Areia”, por exemplo, é uma série com maior qualidade do que o longa, competindo com “True Blood” em relação às cenas picantes e polêmicas. Além disso, a série possui uma história política que é essencial para que não cair na mesmice de sexo e sangue (mesmo que isso seja a base do seriado). E são filmes como “Imortais”, em cartaz no cinema, que mostram que tentar lucrar com o sucesso de um outro longa pode ser desastroso.
A história é simples: após a morte de seus familiares, o rei Hyperion deseja se vingar dos deuses ao libertar os titãs e, para isso, ele precisa achar o Arco de Epiro. Para encontrar o arco, o rei precisa encontrar o oráculo. Durante essas idas e vindas, Hyperion encontra Teseu, um camponês que é protegido pelos deuses e que será seu principal oponente.

É uma sinopse simples que não entra em detalhes para não estragar o filme, pois o roteiro é tão picotado e mal contado que a história poderia ser resumida facilmente em um ou dois parágrafos, ao contrário dos cento e dez minutos de duração. A verdade é que a montagem do filme é sofrível, tendo muitas cenas que não se encaixam, pois ou elas duram apenas quinze segundos ou elas não acrescentam nada à história. Ou ainda, como ocorre em muitos casos, elas duram quinze segundos e não servem para nada! Parece que enxugaram a história em vez de torná-la simples e prática para o filme.
A fotografia possui como base o filme “300″, sem sombras de dúvidas. Porém, nas cenas em câmera lenta, o diretor de “Imortais”, Tarsem Singh, não conseguiu fazer a mesma façanha de Zack Snyder. Enquanto Snyder tirava de seus atores feições de ódio e raiva, motivos que fizeram a atuação de Gerard Butter ser aclamada pelo público, Singh consegue tirar caretas temerosas de seus atores durante a coreografia da luta em câmera lenta. Prova disso é a sala de cinema rindo de diversas cenas de ação. Claro, os efeitos especiais são impecáveis, mesmo com um 3D extremamente fraco.

E enquanto “300″ possui uma atuação louvável de seu protagonista, “Imortais” não consegue tirar nenhuma atuação digna. Henry Cavill, que será o futuro Super-Homem, não consegue criar uma identidade forte e marcante como Teseu, algo que o vilão, interpretado pelo famoso Mickey Rourke consegue. Mas mesmo conseguindo o carisma do público, Rourke está atuando no “piloto automático” desde “Homem de Ferro 2″ e muita gente só fica puxando o saco do ator por causa de sua atuação formidável em “O Lutador” (2008).
Sendo assim, “Imortais” é uma furada das boas. Claro, quem quiser assistir cinema apenas por diversão, provavelmente vai gostar do filme. Contudo, o 3D é desnecessário (quase não há cenas em três dimensões), a história é extremamente fraca, a trilha sonora é exagerada, os atores não são carismáticos e nem conseguem conquistar o público, e o final é um pouco brochante. E como mamãe sempre diz: “quem avisa, amigo é”. Mas lembrando: para perder tempo, “Imortais” deve ser uma boa escolha, mas nem isso sei responder ao certo, pois o cara do meu lado, por exemplo, começou a fuçar no Facebook dele depois de meia hora de filme.
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