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“Hair” em SP: Elementos técnicos (Parte 1)

Texto escrito por: Felipe Guimaraes

A espera valeu a pena. Depois de quase oito meses de pura angústia e paciência, “Hair” está em cartaz em São Paulo, no Teatro Frei Caneca. A montagem paulista conta com novos integrantes que entram com a mesma energia apresentada pelo elenco carioca. E mais uma vez Charles Moeller e Claudio Botelho mostram o porquê de serem chamados de “reis dos musicais”.

 

A peça original foi um marco na história da Broadway. Além de ser o primeiro musical rock e de protestar contra a Guerra do Vietnã, o espetáculo mudou bastante o próprio modo de fazer teatro e da dramaturgia em si, pois junto com a história há cenas de alucinações devido às drogas que os personagens ingerem. Alguns chamam isso de falta ou até mesmo quebra de dramaturgia. Outros simplesmente entram nessa “brisa”. Mas entendam que “Hair” não é um simples espetáculo, é um formato novo de peça, uma verdadeira celebração da era hippie e isso não é cafonice ou desculpa esfarrapada para defender a produção. É a mais pura verdade.

 

 

E mesmo que algumas pessoas não consigam ter afinidade com as cenas das alucinações — assim como muitos acham “Evita” chato por ser cantado do começo ao fim –, a montagem brasileira é perfeita. Realmente não há outra palavra para descrever o excelente trabalho realizado pela equipe. Figurino, cenografia, coreografia, preparação de elenco, iluminação… pode pegar qualquer um desses elementos, todos estão maravilhosos.

 

O figurino de Marcelo Pies tem a capacidade de nos transportar aos anos 60, com as cores e roupas bem no estilo da época, além de fazer maravilhas com o figurino indiano. Também não há palavras para descrever o cenário feito por Rogério Falcão, que [pelo que parece] remontou o tempo hippie com influências dos musicais “Wicked” e do próprio “O Despertar da Primavera”, conseguindo assim mesmo dar um ar novo, psicodélico, colorido e bem estruturado para “Hair”. Alonso Barros, que coreografou várias peças, entre elas “Cabaret (também em cartaz em São Paulo), consegue um de seus melhores trabalhos, pois em (quase) nenhum momento os atores ficam parados em cena. Paulo Cesar Medeiros faz da iluminação do espetáculo um dos pontos mais fortes da produção.

 

 

Mas para não dizer que tudo é perfeito, eis uma ressalva: ainda é semana de estreia e muitos ajustes ainda precisam ser feitos, principalmente no som. “Hedwig e o centímetro enfurecido” e “Hairspray” foram prejudicados pelo fato de os instrumentos ficarem mais altos do que as vozes dos cantores. E em certos momentos isso também acontece em “Hair”. Não adianta as pessoas gostarem da história se elas não entendem o que está sendo cantado.

 

Mas tirando essa ressalva, gosto de dizer que essa montagem é pontual. Se a expressão corporal fosse exagerada, perderia o charme. Se o cenário fosse colorido demais, ficaria brega. E por aí vai. Mas inacreditavelmente todas as escolhas de “Hair” conseguiram atingir um equilíbrio perfeccionista para a peça. Charles Moeller e Claudio Botelho fizeram mais um grande espetáculo, trazendo grandes atores e técnicos, mesmo que a história em si deixe a desejar em certos momentos. Quanto aos personagens e às atuações, esperem a segunda parte da postagem. E se preparem, pois é coisa boa.  É uma energia nova que se vê nos palcos do Teatro Frei Caneca.


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  • Marina

    Só um adendo, não conheço nenhum Marcelo Pires, o nome correto é Marcelo Pies.

  • http://www.facebook.com/people/Felipe-Guimarães/100001718071543 Felipe Guimarães

    Marina, obrigado por ter apontado o erro!