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“Futilidades Públicas” dá adeus a São Paulo

Texto escrito por: Amanda Santoro

Sempre admirei atores capazes de ocuparem sozinhos os palcos. Não sou atriz, aliás, estou anos-luz disso, mas imagino que a tarefa de entreter uma plateia inteira contando unicamente com a sua presença não seja das mais fáceis. E se estou anos-luz de ser atriz, penso quão longe estou de encarar um monólogo…

 

E é justamente por isso que bato palmas para Patrícia Gasppar, dona do texto e do palco do Teatro Folha, às terças-feiras, quando é exibida a peça “Futilidades Públicas”. Aliás, a temporada em São Paulo acaba nesta terça-feira, dia 27 de setembro. Portanto, se você estiver lendo este texto a tempo, corra para o Shopping Higienópolis e adquira a sua entrada.

 

No espetáculo, uma mulher de meia-idade começa a refletir sobre as saídas da vida após se encontrar presa em um banheiro sujo de agência bancária enquanto acontece um assalto. Muito mais do que buscar uma saída física do local, a personagem – com muito humor – questiona os “caminhos sem volta” com quais nos deparamos dia após dia em uma cidade onde o cômico e o trágico se misturam e se confundem.

 

 

São 60 minutos de apresentação, e está de bom tamanho. Digo isso pelas próprias limitações de cenário, figurino, iluminação e, no caso, da própria peça. O texto de Patrícia é bastante envolvente, mas poderia vir a ser cansativo se o espetáculo fosse estendido 15 ou 20 minutinhos. A atriz, por sinal, vai dos risos às lágrimas em questão de segundos – e conseqüentemente nós também. Ponto para ela. Isso, no entanto, acaba por quebrar o ritmo do espetáculo em alguns momentos – mas não é regra e nem chega a prejudicar tanto assim.

 

Para quem aprecia a música brasileira, “Futilidades Públicas” também é uma boa pedida. No meio desse vendaval de emoções, Patrícia Gasppar encena a sua tragicômica vida por meio de canções bastante conhecidas da nossa MPB.

 

Interessante é saber que “Futilidades Públicas” nasceu há 18 anos, quando Gasppar perdeu o pai e canalizou todos os seus questionamentos e conflitos internos em uma peça que, hoje, tem no currículo palcos de diversas cidades. Mais bacana do que isso é ver a atriz se emocionar ao término das apresentações, quando relembra a trajetória do espetáculo e como ele surgiu. E entre tantos lados inusitados, vale lembrar que Patrícia foi a Caipora do Castelo Rá-Tim-Bum (porque um pouco de informação inútil e saudosista não faz mal a ninguém, certo?).


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