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Enfim….a Liberta

Texto escrito por: Pâmela Alves

Acabou! Teve fim nesta quarta-feira a tão esperada Libertadores da América. Teve fim uma espera sofrida e louca, de um bando de loucos. De um lado o invicto Corinthians, estreante na arte de conquistar a América, do outro o incansável e já seis vezes campeão Boca Juniors. Era duelo de Titãs, era um jogo tenso, corações a mil. Se por um lado tínhamos uma das equipes mais temidas da competição, do outro tínhamos uma das melhores equipes. Desde 73 um time não ficava invicto até a final. E acreditem, esse clube era o próprio Boca Juniors. E o Lérias que estava em dívida na parte futebolística decidiu dissecar os dois jogos da final da Liberta.

 

O clube brasileiro começou a disputar o maior campeonato da Ámerica em 77, foram dez participações até a primeira final e consequentemente o primeiro título. E esse não era o time mais bonito que o timão já teve, era uma equipe sem estrelas, mas com garra, com vontade, com um esquema tático impecável, impenetrável. Era mesmo uma zaga de aço, bem montada, certa de seu papel, era o que chamamos de time redondo.

 

O primeiro confronto aconteceu em Buenos Aires. La Bombonera (sem o i galera) estava lotada, um mar azul e amarelo que sempre deixa a jornalista que vos escreve de queixo caído. É bonito ver a festa e o entusiasmo dos juniores. A torcida corintiana também chamou a atenção, principalmente quando fez questão de arremessar três sinalizadores no campo depois de tomarem o primeiro gol da partida, o quarto da competição.

 

 

Mas e o jogo, como foi? Não foi difícil como os pessimistas previam, nem tem tão fácil como os entusiastas narraram depois da campanha bem mais ou menos dos argentinos no campeonato. O timão sempre bem armado na defesa parecia estar mais do que ensaiado, eles estavam convictos de seus papéis, evitar ao máximo a entrada de Riquelme e cia na pequena área. A melhor defesa da Liberta fez o que pode, mas uma hora ou outra os argentinos avançavam e davam de cara com Cássio, que não fez grandes defesas como na semi. Mas acima de tudo, no primeiro jogo o Corinthians contou com algo que todos os campeões conhecem bem, com a sorte. Foram pelo menos três lances claros de gol, desperdiçados pelos argentinos ou carimbados na trave sortuda preta e branca.

 

Sheik e Paulinho mostraram habilidade e seguraram o time com as travas das chuteiras. Bem verdade que o time todo mostrou durante a competição garra e vontade de vencer que virou quase mito. Danilo decepcionou, perdeu tempo de bola, tropeçou, tremeu na base. Ele era a única peça solta em um time calmo, era o destempero do clube brasileiro. Chicão meteu as mão pelos pés, literalmente, e só não foi expulso porque o árbitro chileno estava com um bom humor de doer. Em jogo onde o Corinthians fez o que faz de melhor, defender, e o Boca correu para o ataque empurrado pela torcida barulhenta, o 1×1 adiou a festa para terra canarinhas.

 

 

 

Pacaembu lotado, tensão desde cedo, era FINAL, era tudo ou nada e só o tudo contava. As equipes entraram nervosas no gramado. O Corinthians errava passes bestas, o Boca parecia perdido mesmo dominando. Depois dos 20 minutos o quadro mudava apenas de lado, o timão atacava mais e o argentino parecia sofrer a pressão. E para colocar mais emoção, Orion, que já reclamava desde o começo da partida, não aguentou e foi substituído pelo uruguaio Sebastian Sosa (1,80m), que defendia o Peñarol na final de 2011 também no Pacaembu. E os primeiros 45 minutos passaram sem grandes surpresas em um jogo morno.

 

No inicio do segundo tempo parecia que a cera seria a ordem, mas aos 7 minutos Sheik abriu o placar e fez o ano novo surgir nas ruas de São Paulo e o Facebook inflamar com palavrões. Dominando nitidamente o jogo, o Corinthians estava em casa, estava tranquilo, estava campeão. Depois de uma roubada de bola, Sheik ampliou e levou às lágrimas o bando de loucos que hoje não tem voz, mas tem a tão sonhada Libertadores. Foi ele, inclusive, o nome do jogo.

 

Quem esperava uma grande disputa teve que se contentar com o timão conduzindo a partida, fazendo história, vencendo sua primeira Liberta, conquistando a independência para a Democracia Corinthiana.


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  • Murilo

    Sem duvida alguma um belo texto