Disco póstumo de Amy Winehouse é um verdadeiro tesouro
Já era de se esperar que o disco póstumo de Amy Winehouse, que faleceu aos 27 anos em julho deste ano, alcançasse os primeiros lugares na Inglaterra. A comoção em torno da morte precoce da cantora só aumentou a expectativa em torno de “Lioness: Hiddden Treasures”, o álbum que ela estava finalizando antes de tudo acontecer. E o resultado final ficou acima da média, provando que sua interpretação era realmente magistral.
Ouvir o disco é um exercício de sentimento e emoção. E descrevê-lo aqui, de forma imparcial, é um enorme desafio que enfrento nesse instante. Faixas extremamente passionais, como a bela versão de “Will You Still Love Me Tomorrow” (de Carole King) e do clássico “Our Day Will Come” (uma das melhores do disco), evidenciam que a cantora estava em processo de evolução como intérprete, apesar dos problemas com a dependência química e com o alcoolismo.
Mas a que mais me marcou foi “Tears Dry”, canção incrivelmente densa e que foge um pouco daquele esteriótipo cool da cantora. Há uma entrega total, assim como Billie Holiday fazia em suas gravações. “Like Smoke” tem a participação do rapper Nas, que gravou os vocais depois da morte de Amy. O resultado ficou bem interessante.
“The Girl From Ipanema”, a obra suprema de Tom Jobim e Vinícius de Morais, ganhou também uma versão bem suingada e cheia de malemolência jazzística, com aquele tempero soul que só Amy conseguia reproduzir ao vivo ou em estúdio.
“Half Time” é uma balada que já pende para o jazz. “Wake Up Alone” tem um arranjo predominantemente acústico, valorizando demais a sua preciosa voz.
“Best Friends, Right” traz novamente o frescor da soul music, que tanto influenciou a sua formação como cantora, assim como “A Song For You”, outra canção carregada de emoção na dose certa, sem exageros.
Também foi incluído no disco o elogiado dueto gravado com Tony Bennett, na canção “Body And Soul”, sua última gravação em estúdio, que já havia sido lançada no disco do cantor recentemente.
“Lioness: Hidden Treasures” tem apenas 12 faixas. E Amy não precisou mais do que isso para deixar um tesouro musical incrível para os fãs. Uma lição de sentimento e entrega total para a música. E agora os ouvintes podem perceber bem a falta que ela faz.
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