Disco de Cabeceira: Who’s Next (The Who, 1971)
Em 1971, o rock vivia uma espécie de inferno astral. Um ano antes, os Beatles anunciaram o fim do sonho e do grupo, enquanto Jimi Hendrix e Janis Joplin deixavam este mundo consumidos pelos seus próprios excessos de vida. E o rock caminhava para uma direção mais pesada, seguindo a linha de bandas como Black Sabbath e Deep Purple.
Ao mesmo tempo, um dos remanescentes da chamada invasão britânica da década de 60, o The Who estava buscando aprimorar o seu tipo de som. Depois de produzir uma ópera-rock (“Tommy”), Pete Townshend, o guitarrista e principal compositor, começou a trabalhar em mais um ambicioso projeto, que ainda não tinha nome específico. Um punhado de canções inspiradíssimas, que buscavam narrar desventuras mundanas sob o ponto de vista de adolescentes.
Convencido por seus colegas de grupo e pela gravadora, Townshend aceitou gravar as canções como um disco não conceitual, como foi o caso de “Tommy”. E tínhamos então o que se tornaria “Who´s Next”, apontado como auge criativo da banda, que era (e ainda é) pura força bruta.
O disco, o quinto de estúdio da banda, abre com a antológica “Baba O´Riley”, cujo arranjo até hoje provoca arrepios nos ouvintes das mais variadas gerações. Uma instrumentação soberba e um vocal sempre forte de Roger Daltrey. Há que se destacar as levadas sempre geniais do lunático das baquetas, Keith Moon, e o baixo de John Entwistle, cujo apelido era Thunderfingers (dedos de trovão), por causa da incrível velocidade que desenvolvia ao tocar o instrumento.
Não bastasse ter um afiado time de músicos ao lado, Townshend ainda se arriscava na produção do disco, tocando os teclados e promovendo a inclusão de efeitos de estúdio que dariam um realce incrível no resultado final do disco.
“Bargain” e “Love Ain´t For Keeping” são criações de Townshend, que Daltrey consegue traduzir com perfeição no vocal. “My Wife”, de Entwistle, é uma canção bem animada que se integra ao material de Townshend.
A balada “The Song Is Over” é outro momento emocionante do disco, juntamente com “Pure And Easy”, que tem aquele clima de final dos anos 60, quando o sonho de paz e amor dos hippies havia sido adiado por tempo indeterminado.
“Getting Tune” e “Going Mobile” trouxeram novamente Townshend em primeiro plano. Mas em “Won´t Get Fooled Again” a banda se supera mais uma vez ao criar um dos hinos mais conhecidos do rock. Não há roqueiro no mundo que não se impressione com a força que essa canção possui.
“Who´s Next” foi o auge criativo da banda. Os discos que seriam lançados mais tarde não alcançariam a força dessa produção, que até hoje é referência para qualquer roqueiro iniciante.
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