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Disco de Cabeceira – Virgem (Marina Lima, 1987)

Texto escrito por: Luiz Otero

Vasculhando minha modesta coleção de discos, me deparei com uma pérola que representou o auge da cantora e compositora Marina Lima na década de 80. Virgem, o disco, é de longe um dos melhores trabalhos da artista, que aliás era unanimidade de público e de crítica.

 

Marina vinha vivenciando uma curva ascendente na carreira. Gravou discos bem aceitos pelo público (Fullgás, Todas e um álbum ao vivo). Mas, como de costume, ela não gostava de se acomodar. Preferia trabalhar com pessoas diferentes em cada turnê. No estúdio, a situação era a mesma.

 

 

A produção de Virgem ficou a cargo do músico Léo Gandelman, que já vinha tocando com Lulu Santos e também desenvolvia uma fértil carreira solo como instrumentista na linha jazz. A química entre as canções iluminadas de Marina com a técnica e precisão de Gandelman rendeu um dos melhores trabalhos do ano de 1987.

 

O disco abre de forma introspectiva com Pseudo-Blues, uma letra que parece inspirada na poesia marginal de Cazuza em alguns versos. Na faixa seguinte, ela vai no rock´n roll básico de Zerando, que segue a linha do hit Prá Começar (tema da novela Roda de Fogo).

 

Aí então vem a faixa Preciso Dizer que Te Amo (de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto). Uma das melhores interpretações da carreira de Marina, que contou com uma produção incrivelmente inspirada de Gandelman. Um clima musical meio Sade Adu, que caiu como uma luva na voz cool de Marina.

 

Hearts, um hit romântico dos anos 70, ganhou uma ótima releitura de Marina, tendo o violão como ponto de partida no arranjo. Em Prestes a Voar Marina flerta novamente com o rock básico e crú.

 

Virgem, a faixa título, é um hino da carreira de Marina. As sacadas na letra do irmão e parceiro constante, Antônio Cícero, foram bem assimiladas pelo público na época, como por exemplo, a citação do hotel com o nome da irmã (…o Hotel Marina quando acende/Não é por nós dois/Nem lembra o nosso amor…).

 

O álbum segue com o hit supremo daquele verão. Toda estação de rádio FM do Brasil tocou Uma Noite e meia, canção do baixista Renato Rocketh, que inclusive canta a canção em dueto com Marina no disco, atendendo um convite gentil da cantora. A canção Confessional é um momento mais acústico , onde o violão dá o tom no início.

 

Doce Espera, que Maria Bethânia havia gravado no disco Dezembros, é a minha faixa preferida. Tem uma introdução de cunho jazzístico, que se associou de forma brilhante a melodia e aos versos simples da parceria de Marina e Antonio Cícero, que revelava apenas a saudade da pessoa amada (A vida é dura/quando se espera alguém/A vida é fria/Quando esse alguém não vem…).

 

O disco poderia ter encerrado aí. Mas Marina ainda tirou uma canção da manga. 1º de Abril conclui o álbum de forma brilhante. E Marina ainda gravaria depois o disco A Próxima Parada, que marcou o fim da chamada década de ouro da cantora, onde ela reinou realmente de forma absoluta no coração do público e da crítica.

 

 

1) Pseudo-Blues; 2) Zerando; 3) Preciso dizer que te amo; 4) Hearts 5) Prestes a voar; 6)Virgem; 7) Uma Noite e Meia;  8) Confessional; 9) Doce Espera; 10)1º de Abril.

 

 


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