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Disco de Cabeceira: Dois (Legião Urbana, 1986)

edumonica
10 JUN
Texto escrito por: Luiz Otero

Há 25 anos, a Legião Urbana lançava o seu segundo disco, chamado simplesmente “Dois”. Um álbum emblemático, que trazia a poesia de Renato Russo em um momento de amadurecimento. Não é por acaso que esse é sempre apontado pelos fãs como o trabalho mais completo em termos de canções.

 

No contexto nacional, o País atravessava um momento de transição política, iniciando o primeiro Governo pós-Ditadura. Na música, o rock nacional tomava conta das rádios. Um ano antes, o “Rock in Rio” consagrou bandas brazucas, como Paralamas do Sucesso e a Blitz.

 

A Legião Urbana vinha de Brasília, como outros grupos da época (Paralamas, Capital Inicial e Plebe Rude, só prá citar três exemplos). Seu primeiro disco ainda era algo em estado bruto, mas já haviam emplacado três hits nas rádios (“Será”, “Ainda é Cedo” e “Soldados”).

 

 

No segundo, Renato e seus companheiros de banda (Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha) tiveram mais tempo para produzir. Isso fica fácil concluir logo na primeira faixa, “Daniel na Cova dos Leões”, cuja letra revelava as angústias de Renato de forma metafórica.

 

Um detalhe que chamou a atenção é que nesse segundo disco há mais violões acústicos e menos guitarras, ao contrário do primeiro, quando o instrumento elétrico predominou em quase todas as canções.

 

A segunda faixa, “Quase Sem Querer”, se tornou um hit instantâneo nas rádios dos anos 80 . De melodia simples e letra extensa, a composição de estilo folk de Renato mostrava o ponto de vista de adolescentes (…Quantas chances desperdicei/Quando o que eu mais queria/Era provar pra todo o mundo/Que eu não precisava/Provar nada pra ninguém…).

 

“Acrilic On Canvas” é de uma beleza singular, melancólica e suave. E aí depois vem uma canção com o trovador solitário Renato Russo, gravada apenas com voz e violão. “Eduardo e Mônica”, que tocou até a exaustão nas rádios, recentemente voltou a cena com o comercial da Vivo (veja vídeo abaixo).

 

 

 

O disco fecha com a instrumental “Central do Brasil” e mais um hit instantâneo: “Tempo Perdido”, que mexe com o ponto de vista do adolescente (Todos os dias quando acordo/Não tenho mais/O tempo que passou/Mas tenho muito tempo/Temos todo o tempo do mundo…).

 

Na sequência, “Metrópole” coloca novamente a guitarra em primeiro plano, para depois cair na versão seminal de “Música Urbana 2″, com letra de conteúdo cético.

 

O destaque desse trecho do álbum vai para “Andrea Dória” (outra com melodia de tom melancólico) e “Índios”, com um ótimo trabalho nos teclados e uma letra incrivelmente inspirada (…Quem me dera/Ao menos uma vez/Que o mais simples fosse visto/Como o mais importante/Mas nos deram espelhos/E vimos um mundo doente…).

 

“Dois”, o disco, cristalizava a poesia de Renato Russo, que caía ainda mais nas graças do gosto popular. Foi um disco importante, que provou para a gravadora que a obra do grupo permaneceria perene até os dias atuais.

 

 


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  • http://www.goduto.com.br/ Igor

    Apesar de solteiro e inimigo número um das companhias de telefonia brasileiras, admito que a VIVO acertou em cheio com essa produção… Eduardo e Mônica é aquele tipo de música que nos faz vislumbrar imagens como se fossem parte de um Filme. Pois aí está, Eduardo e Mônica, o Filme.