Dia do Orgulho Hétero… WTF?
Cada dia mais me espanto com a capacidade de o ser humano conseguir ser mais boçal do que já espero que ele seja. O que é essa brilhante iniciativa do “Dia do Orgulho Heterossexual”? Como já disse no Twitter, é a tentativa de enfiar goela abaixo uma ideia com a mesma aplicabilidade do Dia Internacional do Homem. Aliás, vocês sabem quando devemos homenagear o sexo masculino? Bom, eu não tenho a menor ideia, então aceito colas, respostas assopradas e ajuda dos universitários.
Um amigo do Sul veio me dizer algo na linha de “vocês não tem mais o que fazer aí, não?”. Confesso que fiquei um tanto contrariada na hora, mas ele estava certo, é a mais pura verdade. Perder tempo em pensar, criar projeto de lei com esse teor e, ainda, ter a coragem de apresentá-lo é trabalho para poucos, para gente de coragem. Parabéns, vereador Carlos Apolinário! Agora todos sabem como o senhor utiliza bem o seu tempo, porque certamente não há nada mais útil para fazer na cidade de São Paulo.
Mas ironias à parte, o que me incomoda no “Dia do Orgulho Hétero” não é a falta de necessidade de algo que o valha. Isso é o de menos. Para mim, o mais triste é ver como a sociedade está cada vez mais segregada, sem a capacidade de discursar, entrar em acordo e conviver com as diferenças de forma respeitosa. Se existe passeata LGTB, do outro lado existe também a Marcha para Jesus. Se criam um movimento pela descriminalização da maconha, não tarda a aparecer outro semelhante, só que com o mote inverso. Tem até campanha no Twitter que prega a virgindade até o casamento – mas na cola dela vem outra que propaga que “dar é preciso”. E por aí vai, né. Quanta asneira, que gastura…
As pessoas não se unem mais pelas incontáveis semelhanças que encontram entre si, mas – pasmem! – se distanciam pelas diferenças que nem são tantas assim. Na minha humilde visão platônica de mundo, isso jamais poderia acontecer. E está cada vez pior, com uma intolerância que chega a me dar dor de estômago.
Tá, e o que eu acho desse tal de “Dia do Orgulho Hétero”? Bem, é só outra forma de a maioria esbanjar preconceito de forma velada, com um discurso protecionista de “vamos defender o que é nosso”. E como eu disse linhas acima, é uma imbecilidade. Mesmo fazendo parte do “grupo predominante”, não me sinto de forma alguma representada pela data. Mesmo porque ela parece ser só outra afronta ao movimento gay, e tudo que nasce do avesso está fadado ao avesso ficar. Já diria É o Tchan: “Pau que nasce torto nunca se endireita…”
Mas quer saber? FODA-SE. Essa iniciativa é só mais uma bobagem criada pelo governo que não surtirá efeito social algum. Agora o que não dá é ver gente – sim, falo de homossexuais – agindo com a mesma intolerância dos seus nada simpáticos amigos homofóbicos quando estão do outro lado da moeda. Se o “Dia do Orgulho Heterossexual” é uma afronta a vocês, tenham certeza de que ele também é para todos que têm um pingo de discernimento, e isso inclui heterossexuais.
E eu aqui preocupada com saúde, educação, transporte, humanização… quando tem gente que só vê a bendita opção sexual. Vai entender, né? Afinal, já dizia uma sábia amiga: “cada um sabe o que faz com o seu fiofó e com a sua perseguida. Get a life”.
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Marco
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