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Dia do Orgulho Hétero… WTF?

Texto escrito por: Amanda Santoro

Cada dia mais me espanto com a capacidade de o ser humano conseguir ser mais boçal do que já espero que ele seja. O que é essa brilhante iniciativa do “Dia do Orgulho Heterossexual”? Como já disse no Twitter, é a tentativa de enfiar goela abaixo uma ideia com a mesma aplicabilidade do Dia Internacional do Homem. Aliás, vocês sabem quando devemos homenagear o sexo masculino? Bom, eu não tenho a menor ideia, então aceito colas, respostas assopradas e ajuda dos universitários.

 

Um amigo do Sul veio me dizer algo na linha de “vocês não tem mais o que fazer aí, não?”. Confesso que fiquei um tanto contrariada na hora, mas ele estava certo, é a mais pura verdade. Perder tempo em pensar, criar projeto de lei com esse teor e, ainda, ter a coragem de apresentá-lo é trabalho para poucos, para gente de coragem. Parabéns, vereador Carlos Apolinário! Agora todos sabem como o senhor utiliza bem o seu tempo, porque certamente não há nada mais útil para fazer na cidade de São Paulo.

 

Mas ironias à parte, o que me incomoda no “Dia do Orgulho Hétero” não é a falta de necessidade de algo que o valha. Isso é o de menos. Para mim, o mais triste é ver como a sociedade está cada vez mais segregada, sem a capacidade de discursar, entrar em acordo e conviver com as diferenças de forma respeitosa. Se existe passeata LGTB, do outro lado existe também a Marcha para Jesus. Se criam um movimento pela descriminalização da maconha, não tarda a aparecer outro semelhante, só que com o mote inverso. Tem até campanha no Twitter que prega a virgindade até o casamento – mas na cola dela vem outra que propaga que “dar é preciso”. E  por aí vai, né. Quanta asneira, que gastura…

 

¿Por qué no te callas, Carlos Apolinário?

 

As pessoas não se unem mais pelas incontáveis semelhanças que encontram entre si, mas – pasmem! – se distanciam pelas diferenças que nem são tantas assim. Na minha humilde visão platônica de mundo, isso jamais poderia acontecer. E está cada vez pior, com uma intolerância que chega a me dar dor de estômago.

 

Tá, e o que eu acho desse tal de “Dia do Orgulho Hétero”? Bem, é só outra forma de a maioria esbanjar preconceito de forma velada, com um discurso protecionista de “vamos defender o que é nosso”. E como eu disse linhas acima, é uma imbecilidade. Mesmo fazendo parte do “grupo predominante”, não me sinto de forma alguma representada pela data. Mesmo porque ela parece ser só outra afronta ao movimento gay, e tudo que nasce do avesso está fadado ao avesso ficar. Já diria É o Tchan: “Pau que nasce torto nunca se endireita…”

 

Mas quer saber? FODA-SE. Essa iniciativa é só mais uma bobagem criada pelo governo que não surtirá efeito social algum. Agora o que não dá é ver gente – sim, falo de homossexuais – agindo com a mesma intolerância dos seus nada simpáticos amigos homofóbicos quando estão do outro lado da moeda. Se o “Dia do Orgulho Heterossexual” é uma afronta a vocês, tenham certeza de que ele também é para todos que têm um pingo de discernimento, e isso inclui heterossexuais.

 

E eu aqui preocupada com saúde, educação, transporte, humanização… quando tem gente que só vê a bendita opção sexual. Vai entender, né? Afinal, já dizia uma sábia amiga: “cada um sabe o que faz com o seu fiofó e com a sua perseguida. Get a life”.


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  • Marco

    Parabéns pelo texto. A toleima está ao alcance de todos e muitos adoram entrar na fila diversas vezes. Acho imbecil essa necessidade de pertencer a alguma tribo. Como diria Raul Seixas: “todo Homem tem o direito de fazer o que quiser”. Viva e deixe viver!
    Minha opinião sobre o Carlos Apolinário? Um imbecil, retrógrado, político provinciano, escória da política brasileira, para ficar só nas palavras de alto calão. E tem eleitor que ainda vota nele. Deprimente.

  • Emilio Franco Jr

    Essa data é, mesmo, uma completa imbecilidade. O Dia do Orgulho Hétero nasce fadado ao fracasso simplesmente porque não há o que reivindicar.

    “Resguardar a moral e os bons costumes?” E lá vamos nós com essa preocupação ultrapassada de viver em uma sociedade de (falsas) aparências.

  • Maria de Fátima da Silva

    Esse dia é só mais uma grane imbecilidae de políticos que ficam procurando e criando falácias p/ dizer que estão fazendo jus ao salarinho que ganham.
    Não é o governo (que é executivo)e sim. deputados (legislativo), que o povo não investiga antes de votar!
    Os gays tem que lutar p/ serem reconhecidos como cidadãos, como pessoas com direito e voz e não somente voto, tem que lutar p/ não serem espancados, presos, violentados ou mortos, em razão da sua opção sexual. Mas os heteros tem que lutar por que? Vão dizer que por respeito, dignidade, reconhecimento, etc…Ora, os homossexuais também lutam por isso, além do já citado acima!
    Ou seja, como cidadãos somos todos iguais, mas devemso saber quando e porque ir as ruas reivindicar!

  • Tiago

    À sombra de uma Constituição que torna todos iguais, este país deixa de ver o coletivo para individualizar ainda mais. A cada marcha, fica evidente a segregação. Não deveria haver manifestação de um conta o outra, mas sim um reconhecimento recíproco de espaço com o respeito das opções e diferenças de cada qual. De medíocre a leviano é o caráter de quem quer se sobrepor ou inoportunamente se sobressair às custas de pessoas que não evoluíram seus pensamentos. Esse é o excelentíssimo senhor vereador Carlos Apolinário. Mal sabe ele que tal orgulho pode ser derrubado quando, de repente, um ente querido passar a jogar no outro time. Chega de orgulho disso ou daquilo. O que falta hoje é respeito e tolerância, isso sim!

  • http://www.goduto.com.br Igor

    Pois é, sair na rua pra fala merda todo mundo tem tempo, enquanto isso no Palácio da Injustiça os corruptos fazem a festa e o Brasil continua sendo o quintal da escória! É por isso e por outras que sempre digo: “O governo não tem culpa de nada, são as pessoas que nada fazem para que o governo seja de fato a representação de nosso verdadeiros ideais”. Sair na rua pra gritar por melhorias na educação, saúde, transporte, moradia e salário ninguém quer…