Dean Martin e Doris Day – Os ícones do cinema também cantam
Dean Martin e Doris Day são sempre mais lembrados por seus trabalhos como atores no cinema e na TV. Mas ambos fazem parte de uma geração em que os artistas eram completos por natureza. Não por acaso, os dois eram frequentemente vistos na telona cantando com maestria as trilhas de seus filmes. Duas coletâneas lançadas neste ano em CD resgatam parte das obras fonográficas dos dois artistas, que fazem parte da memória afetiva de quem curtiu o cinema nos chamados anos dourados.
Dean Martin, que ao longo da carreira fez dupla de sucesso com Jerry Lewis e integrou o Rat Pack de Frank Sinatra, faleceu em 1995. Mas ganhou uma coletânea dupla chamada “Cool Then, Cool Now”. Nela estão reunidas canções que marcaram sua trajetória como “I’m Sitting On The Top Of The World”, “Memories (Are Made Of This)” e “Everybody Loves Somebody” (esta uma das mais conhecidas do público brasileiro). Também estão incluídas “Volare” (Martin é de uma família de origem italiana) e “C’est Si Bon” (clássico da música francesa).
O interessante é que o estilo de Dean Martin é facilmente reconhecido como influência em vários cantores que surgiram nas décadas seguintes, como Harry Connick Jr. e Michael Bublé. Mas sempre citam Sinatra como referência única, o que soa injusto ao ouvir os trabalhos de Martin como cantor. Até Elvis Presley, no auge da carreira, reconhecia em Dean Martin uma referência musical importante. O diferencial nele era uma essência pop na arte de interpretar canções, muito embora pudesse cantar traquilamente algo na linha jazzística. Escutar o disco também pode trazer algumas lembranças dos filmes de Martin, como na faixa “That´s Amore”, que ele cantava em um dos filmes com Jerry Lewis.
Doris Day, que vive reclusa hoje aos 87 anos nos Estados Unidos, foi um ícone da beleza nos anos 50/60. Fez sucesso com papéis de moças ingênuas e puras, mas sempre desenvolveu uma fértil carreira musical. Prova disso é o seu disco mais recente, “My Heart”, que alcançou as paradas de sucesso na Inglaterra. Trata-se na verdade de uma coletânea de gravações feitas nos anos 70, em sua maioria, todas devidamente remasterizadas. E é incrível ver o sentimento eclético de Doris Day, que se daria bem também como uma autêntica crooner de banda de jazz.
A voz suave e ao mesmo tempo bem empostada pode surpreender quem conhece somente seu trabalho como atriz. Mas será uma surpresa bem agradável ouvi-la cantrando canções como “You´re So Beatutiful” (de Billy Preston), “Heaven Tonight” (uma doce canção de arranjo folk), “Stewball” (canção tradicional que provavelmente inspirou John Lennon em sua célebre canção natalina), além de “My Heart”, uma bela balada romântica que apropriadamente dá nome ao disco.
Na prática, os dois trabalhos trazem à tona dois ícones da cultura mundial, injustamente mais lembrados pelos trabalhos como atores. Na prática, representa uma ótima oportunidade para o público conferir a maestria de Dean Martin e Doris Day como cantores.
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