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Crítica: R & J – Juventude Interrompida

Texto escrito por: Maiara Tissi

Com a melhor das aproximações entre plateia e palco que um teatro pequeno e de circuito alternativo pode proporcionar, R & J – Juventude Interrompida traz uma das obras mais encenadas do mundo na versão do americano Joe Calarco, que foi sucesso no circuito londrino e no off-Broadway nos anos 90. No Brasil, o texto é dirigido por João Fonseca e após grande temporada no Rio de Janeiro e marcar presença diversas vezes entre as 10 melhores peças em cartaz, ganhou o prêmio APTR de Melhor Produção e fica até dia 29 de abril, próximo domingo, em São Paulo.

 

 

Lousas penduradas pelas paredes do teatro e cadeiras de sala de aula típicas de um reformatório criam o ambiente, apresentado na primeira cena pelo quarteto de jovens a proferir em uníssono frases e ideias impostas pelo colégio católico tão estrito quanto seus uniformes. Passado o entendimento do cenário, os amigos estudantes informam a si mesmos assim como aos espectadores que é chegada “A Hora Noturna”, o momento de diversão do dia, em que decidem encenar Romeu & Julieta.

 

O paralelo da encenação desses jovens dentro de um quarto e sua interpretação dos personagens shakespearianos proporciona um ritmo dinâmico e faz desta uma versão mais inovadora e moderna da obra. A originalidade também está presente na trilha sonora, que vai de Beatles e Queen até referências a Daniela Mercury, como parte das tiradas cômicas, bem presentes durante a peça e que intercaladas com momentos mais dramáticos servem perfeitamente para o público atual, principalmente para o acostumado apenas com o “teatro-espetáculo”.

 

Com o decorrer da peça e a intensidade da obra clássica aumentando, as transições entre os estudantes e Romeu & Julieta se tornam cada vez menos constantes e os atores passam a revezar seus papeis com menos intermediações. Nessa difícil missão, Pablo Sanábio, por exemplo, dá vida a ama de Julieta, o Frei e Teobaldo, fazendo mudanças de personalidade, tom e até mesmo gênero, em um mínimo espaço de tempo. João Gabriel Vasconcellos, Felipe Lima e Geraldo Rodrigues (indefinidamente no lugar de Rodrigo Pandolfo) completam o elenco que dá gosto de ver em sua sincera e apaixonada interpretação. Não à toa, estão juntos nessa empreitada rodando o Brasil há mais de um ano.

 

 

Depois de se apresentar no Sesc Belenzinho, o fim da temporada paulista já está aí para R & J – Juventude Interrompida. Portanto, é melhor se programar logo para não perder a tragicomédia inesquecível criada pela junção de Joe Calarco, João Fonseca e quatro jovens, talentosos e promissores atores que é apresentada humildemente em um dos teatros mais aconchegantes e conhecidos pela classe artística, o Espaço Os Fofos Encenam.


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