Ele veio do Ceará. E tem o blues, ritmo tipicamente americano, correndo nas veias. Já tocou com feras do naipe de Buddy Guy, e ainda concorre na votação para tocar no renomado Crossroads Festival, do mito Eric Clapton. Ele é Artur Menezes, que está lançando seu segundo disco solo e vem conquistando a crítica especializada pela sua versatilidade e originalidade ao compor e tocar o blues. Não bastasse isso, ele ainda encontra tempo para promover o blues em seu estado de origem. Confira a entrevista que esse novo talento concedeu para o Lérias (fotos – crédito André Pharaoh):
Você já morou nos EUA e até tocou com nomes importantes do blues no exterior. Como foi essa experiência?
Incrível! Três foram as coisas que destaco das minhas experiências em Chicago: Marra, reconhecimento e confiança. Adquiri muita marra porque fui para um país estrangeiro, sem saber falar quase nada de inglês. Já no meu primeiro dia consegui tocar no B.L.U.E.S. on Halsted e Kingston Mines (além de ganhar um V.I.P Card pra entrar de graça no Mines). E claro o fato de conseguir me virar no dia-a-dia. Reconhecimento por ter saído do Brasil, de uma região que não é a mais abastada, pra tocar um estilo musical que não era meu, na casa dos “donos” do estilo e ser elogiado e respeitado. Confiança vem automaticamente depois do reconhecimento. Fui a Chigago em 2006, 2007 e 2011. Em todas as vezes encontrei o Buddy Guy no Legends, bar que ele é proprietário. Nos dois primeiros anos, apenas um oi, foto e autógrafo em cd. Em 2011 foi diferente. Como eu já tinha ido outras vezes, fiz muitos contatos. Conheci músicos, produtores, técnicos de som, seguranças dos bares, roadies, público frequentador da cena blues local. Enfim, era noite de Jam Session com o Brother John, grande guitarrista, pianista e cantor. Ele me deu “meia-aula” em 2006. Insisti tanto, pois adorava o estilo dele, que ele resolveu me dar a aula antes do show dele, no second floor do Legends. Ele já tinha me visto tocar antes nas Jams do bar e disse que eu não precisava da aula, pois eu já tinha o blues (“you got the blues”). Claro que fiquei feliz com isso, mas a gente sempre tem o que aprender. Insisti pela aula. Ele não me cobrou. Desde então virou amigo. Então, em 2011, quando ele soube que era a minha última semana em Chicago, perguntou se eu teria interesse em tocar com alguém em especial na Jam. Pouco tempo depois ele me chamou. Anunciou que eu era brasileiro e que era minha última semana lá. Quando eu subi no palco ele disse, “toque bem, se você agradar, o Buddy sobe pra dar uma canja. Você quer?”. Aí claro que aceitei e foi maravilhoso! Foi só um slow blues de menos de 10 minutos, mas foi inesquecível! Em 2012, tive a honra de fazer os shows de abertura da turnê do Buddy Guy aqui no Brasil e foi excepcional. Esse intercâmbio com artistas de blues norte-americanos é sempre muito legal e enriquecedor.
É verdade que você procura divulgar o blues em seu estado de origem, o Ceará? Como é feito esse trabalho?
A gente tem uma cena de blues muito forte em Fortaleza. Resultado dos vários festivais e de nossa busca incessante de espaços pra tocar e divulgar o blues. Hoje, penso ser a maior cena blues do Brasil, em termos proporcionais, claro. Tem períodos que você encontra blues de terça a sábado. São várias as bandas, os projetos e os festivais. Na minha adolescência era mais escasso. Tudo foi melhorando pela nossa insistência e aprimoramento do trabalho. Quando digo nosso, me refiro a todas as bandas que batalharam ou que vem batalhando pelo blues por lá. Sou um dos idealizadores do projeto Casa do Blues, junto com o Leonardo Vasconcelos e Roberto Lessa, integrantes da primeira banda que participei, a Blues Label. Trata-se de uma reunião das bandas mais ativas do cenário blues cearense, com CNPJ e como associação, bem organizada. Por conta disso, conseguimos apoios de órgãos públicos e privados para a realização de shows em vários bairros de Fortaleza (de preferência nos bairros de periferia), além de workshops e aulas de música, sempre com foco no blues.
Seu segundo disco, #2, tem composições em inglês. A iniciativa visa atender o mercado do exterior ou você não descarta compor também em português no futuro?
Considero mais fácil compor em inglês e combina um pouco mais com o blues tradicional. Mas eu tenho planos de cantar em português e me sinto bem mais à vontade agora, já que meu estilo vem sendo cada vez mais amplo e não apenas de blues tradicional.
Nos últimos anos surgiram muitos nomes do estilo no País. Será que o blues encontrou o seu espaço no mercado?
Acredito que sim. O blues é tipo uma fênix. Morre mas renasce das cinzas! É um estilo que sempre se renova e sempre é utilizado como uma ferramenta na música moderna e contemporânea.
Que tipo de estrutura você preparou para os shows ao vivo?
Esse meu novo disco, #2, está mais maduro e é uma continuidade desse meu gosto pela mistura de estilos. Foi bem gravado e melhor produzido. Além de ter tido toda uma pré-produção. Para os shows, estou mantendo a mesma banda que gravou o disco: Lucas Ribeiro (baixo), Wladimir Catunda (bateria), e Cláudio Mendes (teclado e guitarra).
O mercado fonográfico vive um momento de transição, por conta do advento da internet. Como você avalia o mercado para trabalho no País?
Eu considero a internet uma ótima ferramenta, complementando o trabalho de divulgação. Só no Facebook tenho mais de seis mil seguidores e a relação é bem sincera e atenciosa. Eu sempre procuro agradecer todos os compartilhamentos, curtir e responder os comentários. Ajudar as pessoas que me procuram com dúvidas de guitarra, sobre música, sobre a profissão “músico”. Sempre que possível faço sorteio de cds, guitarras, kits promocionais etc.
É verdade que você está concorrendo na votação para tocar no Crossroads Festival, do Eric Clapton? Como é que o público pode votar?
Para mim esse festival representa justamente a guinada na minha carreira. Se eu tiver essa oportunidade de tocar no Crossroads será um caminho sem volta. Acredito que as coisas vão melhorar cada vez mais. Além de ser uma tremenda responsabilidade e um tremendo orgulho representar o meu país neste que é o maior festival de guitarristas do mundo. Para votar basta acessar o link http://www.playcrossroads.com/u/Menezes e, lá embaixo da porcentagem, na opção “ADD YOUR SUPPORT”, escrever seu nome e seu email. Curtir a página do facebook e ouvir e comentar as músicas na página do festival também aumenta a pontuação.

























