Kiko Zambianchi é um daqueles casos difíceis de explicar. O cara estourou em 1985 com dois hits radiofônicos poderosos. Mas desde então desenvolve uma carreira errática, sempre pontuada por momentos brilhantes e de relativo sucesso popular. Além disso, suas composições sempre foram requisitadas por outros artistas.
Em 2001, ele parecia estar retomando o rumo da carreira depois de um período afastado dos estúdios. Lançou um CD com o título sugestivo de “Disco Novo” pelo selo Abril Music. Mas não deu sorte, porque o selo encerrou as atividades um pouco depois. Ironicamente, esse disco é de longe o seu melhor trabalho, mais maduro e incrivelmente antenado com o rock nacional dos anos 80, movimento do qual fez parte por sinal.
O disco abre com o alto astral de “Tudo É Possível”, que o grupo O Surto já havia gravado e incluído em trilha de novela da Rede Globo. O som da guitarra transporta o ouvinte diretamente para os anos 80. Na faixa seguinte, chamada “Upgrade”, o violão dá o tom acústico no arranjo, em uma letra com fundo romântico. “Manchas e Intrigas”, que vem na sequência, já havia sido gravada por Erasmo Carlos. E tem mesmo o pique do nosso eterno Tremendão: meio jovem guarda, meio anos 80.
Aí depois vem um torpedo musical chamado “Norte e Sul”. Uma verdadeira obra-prima do rock nacional. Simples, direta e eficaz. Impossível não se identificar com a letra que brinca com capitais de pontos extremos do País, além de chamar a atenção para o básico, que é dar atenção para a família e para a pessoa amada. (“…Eu queria aquele gosto de infância divertida/Eu queria aquelas tardes sem problemas na família/Talvez nunca aconteça, mas eu sou um sonhador/Sinto falta do calor de Salvador…”).
Mas o tal “Disco Novo” de 2001 não para por aí. Segue o rumo certo com a balada “A Nossa Música”, quando Kiko clama por um lugar no mundo da pessoa amada. E vai mais longe ainda com a ótima canção “Nirvana Psicodélico”, cujo riff matador já entrega bem o que o ouvinte var ter. “Máquina do Tempo” é outra pérola desse disco. Talvez até fosse gravada pelo Rei Roberto Carlos no filme “Em Ritmo de Aventura”, se tivesse sido composta naquela época, nos anos 60.
Outros destaques são “A Nave Que Ninguém Viu” (cuja letra brinca de forma poética com a presença de um objeto voador não identificado) e a ótima cover de “Desculpe”, do mutante Arnaldo Baptista. Esse disco merecia ser relançado urgente!












