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Quem tem medo do Felipão?

Mais uma convocação da Seleção Brasileira, desta vez, para a Copa das Confederações, que será disputada no próximo mês, no Brasil. E a polêmica de sempre no noticiário esportivo em geral. As mesmas broncas com o técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que abriu mão de jogadores que vêm atuando bem em seus clubes, como Ronaldinho Gaúcho e Ramires. E trouxe outros de qualidade discutível, como o incrível Hulk.

Na verdade, Scolari quer tentar fechar em copas com 23 cartas, digo, atletas. Como justificativa para as ausências das celebridades, cita os desempenhos pífios de Ronaldinho nos amistosos da Seleção no exterior. E se baseou em uma seleção renovada, pois da última Copa da África do Sul, resta apenas o goleiro (Júlio Cesar), que nem é tão imprescindível assim. Os goleiros que atuam no Brasil mostram mais competência assumir a vaga de titular. Fred, do Fluminense, pode ser uma aposta interessante, se render o que vem rendendo nos últimos jogos. Ele foi o homem-gol de Felipão, que ajudou a salvar a equipe de derrotas certas.

O maior obstáculo a ser superado é a falta de tempo. Felipão acabou de chegar e encontrou um trabalho sem rumo deixado pelo seu antecessor, Mano Menezes. E , exatamente como Menezes, ainda não criou uma padrão tático específico para a equipe, com a sua cara, digamos assim. Nem mesmo Neymar conseguiu render até agora o que vinha rendendo no Santos, apesar de ser constantemente elogiado por Felipão.

No que se refere ao meio de campo, houve apostas interessantes. Hernanes vem jogando muito bem na Itália e Paulinho do Corínthinas é outra unanimidade. Na defesa, sabe-se de antemão que os laterais serão Daniel Alves e Marcelo, e o miolo da zaga deve ser formado por David Luiz e Thiago Silva, que de uma certa forma conquistaram a confiança do treinador. O ataque tem nomes discutíveis, como o já citado Hulk e Leandro Damião. Neymar e Fred merecem ir por merecimento.

Sinceramente, não espero muito dessa seleção. No papel, até tem grandes valores. Se os atletas tivessem um conjunto formado, dariam trabalho para as seleções européias, que já estão treinando há muito mais tempo, com padrões táticos muito bem definidos. Espanha e Alemanha, por exemplo, mostram muita força e disciplina tática, enquanto a equipe canarinho alterna momentos sofríveis com outros de maior eficiência tática.

Uma situação bem diferente daquela que ele encontrou em 2002, às vésperas da Copa do Mundo da Ásia. naquela ocasião, Felipão pouco mexeu na estrutura do time, que tinha um conjunto formado e valores experientes, que estavam prontos para estourar na Copa, como Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu entre outros. Loucura na época só o Kleberson, que era uma aposta que também deu certo.

Nesse momento, ainda não dá para ter medo do Felipão. Mas confesso que já sinto um arrepio frio na espinha ao imaginar o apito do juiz dando início ao jogo de estreia da Seleção. Tomara que até lá, Felipão tenha mostrado de forma clara como pretende jogar. Afinal de contas, a Copa do Mundo de 2014  está cada vez  mais próxima.

Marilia Barbosa está na área

No final dos anos 70, era impossível não se emocionar com aquela voz de tom doce e firme, que entoava no final das tardes a canção de abertura da novela A Sombra dos Laranjais. O tema O Circo, composto por Sidney Müller, ficou eternizado na voz maravilhosa de Marilia Barbosa, que também interpretava uma personagem da novela, a divertida Ritoca. O que talvez poucos saibam é que Marilia, ao contrário do que se poderia imaginar, começou a dar seus primeiros passos na arte na década de 60, quando com apenas cinco anos de idade já cantava em circos e em rádios, incentivada pelos pais. Hoje em dia, ela anda mais afastada da mídia, mas não da arte. Continua desenvolvendo projetos ligados ao teatro e a televisão. Recentemente interpretou a personagem Dona Carochinha no seriado Sítio do Pica-Pau Amarelo e realizou vários projetos relacionados com a seara teatral e com a música. Nessa entrevista para o Lérias, ela conta um pouco de sua trajetória e de seus planos para o futuro.

O que motivou você a seguir o caminho da arte cênica e da musica?

O fato de ter nascido cantando. Desde que abri a boca, aprendi a cantar as músicas que ouvia no rádio e também ouvia minha mãe cantar. Nas artes cênicas, foi opção estudar, pois fui convidada por Mario Brazini que era diretor de elenco da TV Tupi do Rio para o elenco de “O doce mundo de Guida”, de Ghiaroni, famoso escritor de novelas para a Rádio Nacional, que desde os anos 50, foi o berço das “Rádio novelas”. Ele (Mario Brazini) era esposo da atriz Thereza Amayo. Foi por conselho dele que fiz vestibular na FEFIERJ (Federação das Escolas Isoladas do Rio de Janeiro), que depois passou para a UNIRIO, no antigo Conservatório Nacional de Teatro, onde funcionava no prédio da UNE, na Praia do Flamengo, que foi sede de muita confusão nos tempos da ditadura militar, nos tempos em que eu estudava lá. Se você pesquisar sobre esse assunto, vai se impressionar bastante.

Por que você se manteve afastada nos anos 90?

O fato de não aparecer muito em TV não quer dizer que estivesse afastada das artes. Fui convidada especial da montagem oficial de “O Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, que marcava os 50 anos do teatro moderno no Brasil. Fui convidada especial das celebrações dos 50 anos de Brasília, com show para mais de 50 mil pessoas, fiz o show “Nos Tempos de Pixinguinha” no Teatro Nacional de Brasília com muito sucesso e logo depois, em 1997, fui morar nos Estados Unidos. Estou citando apenas as atividades que têm contexto histórico.

A trilha da novela “À Sombra dos Laranjais”, de 1977, teve uma participação direta sua. Conte como foi essa oportunidade.

A trilha foi uma ideia minha que dei a Herval Rossano, com o aval do João Araújo, presidente da Som Livre. Produzi o compacto duplo, o primeiro para novelas das seis que até então não tinham trilhas gravadas. Infelizmente, meu nome não consta em nada, apesar de ter feito tudo. Para minha sorte, a música que escolhi para a abertura, fez o sucesso que fez e entrou para o rol dos “clássicos”. A canção “O Circo” é de Sidney Müller, o arranjo é do maestro Valtel Blanco, hoje no conjunto “Homem de Bem”, que toca músicas e mantras indianos.

Como foi a experiência em solo americano?

Morei em Nova York, Manhattan, por três anos. Cantei muito, escrevi e apresentei programas para a Rádio WKCR 89.9, dei entrevistas em algumas rádios locais, conheci muitas pessoas importantes na área da música e do cinema. Fui uma moradora tranquila, uma vez que meu objetivo lá não era “ganhar a vida”, como fazem as pessoas que vão para lá em busca de vencer. Para mim, eu já havia vencido, apenas quis me afastar do Brasil por uns tempos pois havia passado por maus bocados por aqui. Fui sequestrada e passei por momentos difíceis demais de violência. Me tratei lá, onde levam a sério tragédias como essas. Voltei por não aguentar o frio e porque minha mãe cobrava a minha volta, porque tinha casa (a chácara onde morava no Rio), cachorros e empregados que mantive durante o tempo em que lá estive e a responsabilidade dos cuidados era de minha mãe. E ela já estava cansada de cuidar. Não fossem esses os motivos, eu teria ficado muito mais tempo. Lá é um lugar onde a música brasileira de boa qualidade é o que interessa para os americanos. Mas se eu fosse para lá como os artistas saem daqui para apenas fazerem umas apresentações e voltam, certamente cantaria para os brasileiros que moram lá, portanto teria que cantar essa “coisa” a que a nossa música foi relegada. Mas cantei para estrangeiros e esses, esperam o melhor de nossa cultura. Qualquer hora dessas vou passar um tempinho lá para matar as saudades.

A reação dos americanos é parecida com a dos brasileiros?

Aqui, não sei se felizmente ou não, o povo canta junto, bate palmas durante as músicas e pulam. Ninguém escuta ninguém, é o momento sócio cultural em que estamos mergulhados e esse não é o meu momento de cantar, é para ficar calada ou cantar em teatros para pequeníssimo público.

Nos anos 80 você participou de um show tributo a Aracy Cortes. Ela foi uma referência para você como cantora?

Aracy foi um marco divisório em minha vida. Antes não gostava de cantar sambas porque achava que era de outra área. Mas ter que ser Aracy no teatro, mostrou-me que estava enganada. E ela mesmo falou em coletiva da Imprensa, que eu era a única que poderia seguir com o seu legado. Desde então, já fui Aracy Côrtes na novela “Kananga do Japão” da Rede Manchete. E antes de morar aqui, fui de novo Aracy, em “Aracy Côrtes, a rainha da Praça Tiradentes”, no Teatro João Caetano, em 2008.

É verdade que você começou a gravar discos na década de 60?

Sim. Gravei em 1961 pela primeira vez, um disco que era do Clube do Guri”. Infelizmente não tenho esse disco. Em 1965, gravei na Gravadora Sivan um LP Lindo, inclusive com uma versão da música “As tears go by”, dos Rolling Stones. Em 1967, gravei na RCA Victor a canção “Modinha”, de Sérgio Bittencourt. Em 1968, lancei um LP para o dia dos namorados, pela RCA, “Para viver um grande amor”. Neste mesmo ano, pela Codil, fiz um LP de “A grande Chance” e do Festival Universitário. Fiquei 8 anos na Som Livre, fiz inúmeros discos, trilhas de novelas e o LP Filme Nacional, reeditado agora . Em 2011, participei do Tributo a Yoko Ono, com produção de Marcelo Fróes e de Johann Heyss. Este ano, gravei uma produção de Johann Heyss, “Noite Adentro”, qua ainda está para sair.

Que fato curioso aconteceu na gravação de Modinha?

Houve naquele ano, 1968, um festival onde o Taiguara venceu com Modinha e eu já havia gravado a canção ainda inédita. O diretor da RCA, Romeu Nunes, veio expor que havia acontecido o festival e que o Taiguara saíra vencedor. Então, pedi que o meu disco só saísse depois que o dele saísse. Não era ético esse furo, eu sentiria vergonha. E foi assim que aconteceu.

E quais são seus planos para o futuro?

Meu momento agora consiste em terminar as obras de minha casa aqui, em Minas Gerais. Depois disso, vou morar um seis meses na Europa, visitar amigos e mudar de cenário. Falo sério, sem mágoas, pelo contrário, vou curtir a vida mais ainda do que estou curtindo, já trabalhei demais e agora, quero escolher muuuuuito o que faço em minha profissão. Assim que sair o disco novo, vou viajar, mas por prazer. Não ralo mais por nada. Pretendo morar em Portugal como base, porque lá está acontecendo um belíssimo movimento em torno da boa música brasileira, eles chamam de MPB, Música Portuguesa Brasileira. Não tenho planos para teatro ou TV. Para isso teria que voltar para o Rio e isso eu não quero. Em TV, apenas participações especiais. Faria cinema, sim, pois é vapt-vupt e volta-se para casa. Não é obrigatório ficar no Rio, de onde quero ficar longe, pois hoje é praça de guerra. Lamentavelmente.

Pérolas do Passado – The Rose, o despertar de Bette Midler

Um dia desses, remexendo na minha coleção de discos, me deparei com a capa da trilha sonora do filme A Rosa, estrelado por Bette Midler em 1979, que na época acabou sendo indicada até para o Oscar de melhor atriz. E percebi que, apesar do tempo ter passado, o filme ainda continua sendo uma referência em termos de produção musical com roteiro dramático.

Com direção de Mark Rydell, a história gira em torno da personagem Mary Rose Foster, uma cantora de rock que vive um auge de popularidade, ao mesmo tempo em que se sente desgastada com o ritmo frenético das turnês e pelo crescente vício das drogas e do álcool. Uma situação corriqueira, com a qual volta e meia nos deparamos no meio artístico.

Rose então pede para o seu empresário, Rudge Campbell, interpretado pelo ator Alan Bates, uma pausa para pode recobrar as energias. No entanto, Campbell se recusa a interromper a turnê, fazendo com que a artista se rebele.

A cantora busca apoio em seu motorista, Huston Dyer, vivido pelo ator Frederic Forrest. Apaixonada, ela foge com o namorado, que por sua vez não consegue acompanhar o estilo hedonista e autodestrutivo de vida da companheira.

Ao ver seu amado partir, Rose acaba se afundando no vício. Localizada pelo empresário, ela é levada para um show em sua Cidade natal. Totalmente chapada, ainda consegue cantar a balada Stay With Me, antes de cair no palco, morta, vítima de uma overdose fulminante de entorpecente.

O roteiro foi inspirado na trajetória da cantora Janis Joplin. As coincidências são muitas. Janis era chamada de Pearl e a personagem de Rose faz alusão a flor. E Janis também fez uma apresentação em sua Cidade natal nos Estados Unidos. Ambas acabam morrendo vítimas do vício das drogas, com vidas pessoais marcadas pelos excessos do show business.

A parte inicial do filme é antológica. Como uma autêntica band leader, Bette Midler canta um repertório até então desconhecido do grande público. A mais conhecia era a balada When A Man Loves A Woman, de Percy Sledge (que Michael Bolton também regravaria com sucesso anos mais tarde).

É bem verdade que Bette não era conhecida ainda no meio cinematográfico. Mas é fato que ela já se destacava nos shows ao vivo, com repertórios ecléticos e que sempre se apresentava mesclando um repertório com elementos de teatro. A experiência acabou dando certo, a ponto do filme ter conquistado prêmios como o Globo de Ouro. E teve ainda duas indicações para o Oscar de atriz principal (Bette Midler) e ator coadjuvante (Frederic Forrest).

A escolha por Bette Midler para estrelar o filme representou um ato de coragem do diretor do filme. Mas a aposta foi ganha com relativa folga. Aclamada pela crítica e pelo público, ela acabou alçando um voo crescente para o estrelato em Hollywood. A divina Miss M (apelido dela como artista) já era uma nova estrela na terra do Tio Sam.

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Guilherme Arantes visita o Planeta Lérias

Entrevistar um artista com uma carreira extensa, respeitada pelo público e crítica, é sempre uma responsabilidade redobrada. Mas Guilherme Arantes, autor de canções que marcaram várias gerações, como Meu Mundo e Nada Mais, Extase, Cheia de Charme e Planeta Água, entre tantas outras, é uma pessoa muito simples, do tipo que deixa o entrevistador bem a vontade. Ele acabou de lançar um disco com músicas inéditas (Condição Humana). E parece mais um garoto de 20 anos, ao invés de aparentar um senhor de quase 60. A tal fonte da juventude, segundo ele, vem através da música, que resgata uma sonoridade dos anos 80 e mantém um clima otimista, bem prá cima nas letras. Confira a entrevista que o músico concedeu especialmente para o Lérias

Condição Humana tem o tempo como tema frequente nas letras das canções. O que motivou você a seguir essa linha de criação?

Por causa do momento da minha vida, chegando nos 60.

No disco voce conta com músicos experientes, como o Luiz Carlini e o Willy Werdaguer. Esta será sua banda de apoio em shows ao vivo?
Sim, essa é a banda, com Gabriel Martini na bateria e Alexandre Blanc na outra guitarra.
Como foi a participação dos nomes da nova geração nesse disco? Há chance de novos trabalhos com eles no futuro?
Foi muito emotiva, comemorativa de afinidades. É legal ver que temos uma turma, que vamos poder nos reunir várias vezes no futuro. Claro que espero ter muitas parcerias com eles, para retribuir esse gesto deles.

O som desse disco lembra mesmo a fase pop dos anos 80. Você sentiu necessidade de resgatar aquela sonoridade?
Acho que o público cobra também, pois foi muito marcado geracionalmente por esse som que se fazia nos 70.

O que muda com a criação de um selo (ou gravadora) próprio, no caso, o Coaxo do Sapo? Como você avalia o mercado fonográfico nos dias de hoje?
Mudou toda a logística de lançamento, a gente tem que se virar, produzindo todas as fases do trabalho. A indústria tinha muitas vantagens, era muito bom ser popstar, estar numa “escuderia”, numa grande gravadora era como estar numa ferrari, num Barcelona, a gente era muito cobrado e muito sortudo também… mas sofremos muitos fatores questionáveis, interferências…

Você fez diversas trilhas e colaborações em produções de cinema. Há planos de compor algo novamente para esse segmento da arte?
Com certeza, quero ter muitas presenças em trilhas, é sempre uma alegria, até em encomendas com roteiro préestabelecido.
Como estão os planos para shows ao vivo?
Vamos à luta, com uma banda ótima, um disco motivado, acho que vai ser uma delícia.

Que mensagem você gostaria de passar para os leitores e admiradores de seu trabalho?
Que estou muito feliz de trazer um novo disco “pra cima”, das músicas estarem agradando quem já ouviu.Temos um longo caminho pela frente.Tenho muita gratidão a esse público e à receptividade enorme, ao longo de tantas décadas.

Guilherme Arantes traz disco novo com canções inéditas

Guilherme Arantes está de volta com o disco Condição Humana, o seu 22º de estúdio e o primeiro lançado pela sua própria gravadora (Coaxo de Sapo). E valeu a pena esperar. Os fãs e o público em geral vão gostar do resultado final, que confirma a competência do artista para compor canções com mensagens diretas e bem elaboradas.


Para essa volta aos estúdios, Guilherme Arantes contou com o auxílio de alguns artistas da nova geração, como Marcelo Jeneci. Como ele mesmo explicou no seu site oficial, “é o som do Guilherme, com a sonoridade única da virada dos 70 para os 80, está de volta. Desta vez foi mandatório não fazer nenhuma concessão e não ficar ouvindo abobrinha de nenhum produtor que tenha caído de paraquedas no meu trabalho”.

A faixa-título (Condição Humana) e Onde Estava Você abrem o CD no estilo pop que consagrou o músico no final dos anos 70. Basta lembrar dos hits Lance Legal e Cheia de Charme que você já começa a ver por onde Guilherme anda levando seu som. O tempo é tema frequente em todas as letras.

Vale destacar que Guilherme se cercou de um time de músicos experientes, como Luiz Sérgio Carlini (guitarrista, que formou o Tutti -Frutti com Rita Lee nos anos 70) e Willy Werdaguer (baixista que integrou a banda de apoio do Secos e Molhados e o Raices de América, entre outros trabalhos), entre outros.

Tudo que Eu Fiz Só Por Você é uma balada romântica, com letra inspirada e simples (…uma canção vai lembrar que eu te amo…). O mesmo vale para Oceano de Amor, que não tem nada a ver com Oceano, do disco de 1985. Trata-se de mais uma balada romântica, que usa como pano de fundo a natureza para escrever mais uma pérola musical (…eu rodava o mundo atrás do sol/atrás da lua que voava pelo céu/e lá estava você/Sorrindo, brilhando…).

Moldura do Quadro Roubado e Olhar Estrangeiro são animadas, com arranjos bem feitos, com astral lá em cima. Você Em Mim é uma balada se encaixa com perfeição na sonoridade dos anos 80. É uma das minhas preferidas, junto com a faixa-titulo, que me conquistou logo na primeira audição. Destaco também outra balada – Casteno do Reino, que começa somente com Guilherme cantando ao piano. Dá para imaginar essa canção sendo tocada nos shows ao vivo.

O Que Se Leva é uma mensagem para que as novas gerações percebam que o tempo não para. E que é importante viver sempre o presente com intensidade (O tempo traz/O que você não esperou/e nem percebeu que não volta mais/Viveu, passou, morreu…O que se leva é amor…).

Condição Humana é um disco muito interessante, pois representa uma chance para as novas gerações esquecerem um pouco esse lixo musical que somos obrigados a ouvir de forma quase que cíclica desde os anos 90 no Brasil. Os modismos passam, uns mais tarde, outros mais cedo. Mas a boa música, como a de Guilherme Arantes, permanece imune a ação do tempo.

Concluo com o final do texto que o próprio Guilherme postou no seu site sobre o disco. “Jovem é quem corre para a morte. Velho é quem foge dela. Se estou correndo para a morte, ansiando pelo tempo que me resta correr veloz, então ainda sou jovem. Se estou tentando evitar a morte, se procuro qualquer atalho ou ponte para atravessar o destino inevitável, então estou velho. Não à toa, com este disco eu me sinto de novo com 20 anos”.

Outra informação bem bacana é que no seu site oficial (www.guilhermearantes.com.br) você pode ouvir toda a discografia dele em soundcloud. E dessa forma, Guilherme faz com que pessoas com mais de 40, como é o meu caso, se sintam com 20 anos novamente. Uma espécie de fonte da juventude musical.

 

Feliciano, suor e lástimas

É impressionante o poder que a mídia tem de criar personagens instantâneos, que antes se limitavam apenas a aparecer para um pequeno número de pessoas. E a coisa vai muito além dos chamados reality shows, que meio que popularizaram hábitos poucos salutares em nosso dia a dia, como o interesse pela fofoca, fuxico, ou melhor, falando o português mais claro, fuçar a vida alheia.

Todo esse movimento contra a nomeação do deputado e pastor Marcos Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional prova que a paciência do público tem limites para as mazelas que a classe política produz. E o pior é que ainda endeusam personagens medíocres no quesito conhecimento e cidadania. Tirando a questão política de lado, o fato é que se vê o parlamentar hoje com um alcance popular muito maior do que na época em que ele foi eleito. Um fato que nem mesmo os reality shows seriam capazes de produzir em tão curto período de tempo.

Feliciano faz parte de uma bancada evangélica que vem aos poucos tomando os espaços no Congresso Nacional e mesmo em Câmaras Municipais. Mas, cá entre nós, a religião e a política sempre andaram em caminhos paralelos. Quanto mais laico o Estado, mais justa e respeitosa será a relação com todos os segmentos religiosos dentro de um regime democrático.

A recente divulgação de um vídeo mostrando Feliciano atribuindo a morte de John Lennon a um ato direto de Deus foi, no mínimo, uma piada de mau gosto. Primeiro porque associar algo ligado a religião com o assassinato do ex-beatle é algo ultrapassado e sem razão de ser. E para emendar a besteira, ele ainda disse que a morte dos integrantes do grupo Mamonas Assassinas também teria sido uma interferência divina direta de Deus.

A mais nova declaração bombástica do pseudo-midiático foi associar o compositor baiano Caetano Veloso com um eventual pacto com o demônio. Uma declaração mais do que leviana, se levarmos em conta a trajetória do artista, que por mais polêmico que seja, jamais deixou transparecer tal heresia.

O fato é que o tal pastor se projeta por meio do besteirol que vocifera aos quatro cantos do mundo. Quanto mais bobagem ele declara, mais a mídia destaca. Ou seja, já virou um joguinho do “quero aparecer a qualquer custo”.

Acho que já passou da hora de a mídia parar de endeusar certas pseudo-celebridades do naipe do pastor/deputado. Digo isso porque tais declarações citadas no vídeo mostram primeiro um despreparo para fazer os fiéis acreditarem naquilo que Deus realmente buscou pregar, que é a caridade e o amor ao próximo. Fazer o bem sem ostentação ou sentimento de orgulho é outro mandamento que está escrito nos lívros de várias religiões, sejam elas protestantes ou com ligações diretas com o catolicismo.

O que mais me preocupa é que já há movimentos que querem fazer com que o tal pastor seja um eventual candidato a presidência, tomando como base o seu bestial crescimento de popularidade, mesmo com toda a saraivada de movimentos populares contrários a sua indicação para a tal Comissão de Direitos Humanos do Congresso Nacional. Uma comissão que, diga-se de passagem, a mídia sequer tomava conhecimento antes dessa polêmica toda. E que também proibiu, por iniciativa de Feliciano, as manifestações populares durante a realização dos seus trabalhos. Uma demonstração clara de falta de respeito para com os Direitos Humanos.

Não se tira aqui o mérito da representatividade do parlamentar, que foi eleito legitimamente pelo voto popular. O que se pede é que o publico eleitor faça uma profunda reflexão de todo esse episódio e avalie se valeu a pena gastar seus valiosos minutos de leitura para acompanhar um assunto que não passou de uma mera palhaçada, um circo fora de hora. O Congresso Nacional tem assuntos muito mais urgentes para tratar do que a simples indicação de um pastor para determinada comissão. Por sua vez, a mídia poderia parar de divulgar pregações que nada acrescentam para a sociedade. E prezar mais a qualidade do assunto a ser enfocado no noticiário.

(Colaborou Marco Tirelli)

Magic Slim era o blues em sua essência

Quando tive acesso ao disco mais recente do bluesman Magic Slim, nem me passava pela cabeça que aquele poderia acabar sendo o último trabalho dele. Bad Boy, um disco recheado de ótimas versões de clássicos, com solos bem ao estilo da escola do blues elétrico de Chicago. Acabou sendo uma despedida bem digna para a história do músico, que faleceu em fevereiro deste ano, nos Estados Unidos, vitimado por uma série de problemas de saúde.

O verdadeiro nome de Magic Slim era Morris Holt. Ele nasceu no Mississipi e trabalhou uma fazenda de algodão. Ali perdeu parte de um dos dedos da mão direita, o que fez ele desistir de aprender a tocar piano e começar a conhecer a guitarra como extensão de sua musicalidade.

Quem pôde conferir aquela figura enorme e simpática ao vivo – ele veio algumas vezes para o Brasil, uma delas em Santos, no Litoral Paulista – podia perceber que estava presenciando uma lenda do blues. O vocal firme e os solos de guitarra deixavam claro o lugar que Magic Slim ocupava nesse estilo musical.

Nos últimos shows, Magic Slim só vinha se apresentando sentado por conta dos efeitos da idade relativamente avançada – ele morreu com 75 anos. Mas a velha pegada na guitarra continuava intacta, como o ouvinte poderá conferir nas 12 faixas desse seu último disco.

A faixa título ( Bad Boy) parece ser sido feita sob medida para tocar ao vivo, com seus backing vocals cheios de energia e de fácil memorização. Nas duas faixas seguintes (Someone Else Is Steppin’ In e I Got Money), o mestre destila uma técnica incrível nos solos.

Sunrise Blues é uma pintura. Começa com o solo bem ao estilo de Chicago, e segue com o seu vocal rouco e característico. Hard Luck Blues mostra influência de Muddy Waters, outro mestre so estilo, com arranjo arrastado e cheio de feeling nos solos. Outra faixa que segue a linha dos mestres é Older Woman, que já lembra a linha de Elmore James no arranjo e no solo de guitarra.

Bad Boy é um baita disco. Pode até ter sido uma despedida involuntária, com tom alegre. E com certeza vai agradar todos os que curtem o melhor do que há no blues.

Claudya continua cantando como nunca

Ela é considerada uma das grandes intérpretes de nossa música. Mesmo não tendo o mesmo espaço na mídia de outras cantoras de sua geração, sua produção discográfica sempre primou pela ótima qualidade do trabalho. Não por acaso, ela acabou sendo recentemente redescoberta pelas novas gerações, através de uma canção do rapper Marcelo D2, que sampleou um samba gravado por ela da década de 70. Maria das Graças Rallo, conhecida artísticamente como Claudya, ficou marcada por protagonizar o musical Evita. Sua performance arrancou rasgados elogios dos produtores estrangeiros da peça, que vieram conferir pessoalmente a estreia no Brasil. Claudya desenvolve até os dias de hoje uma carreira pautada pela coerência e bom gosto do repertório escolhido para seus espetáculos, como o mais recente, no qual ela resgata standards na MPB e da música internacional de várias épocas. Confira a entrevista que ela concedeu especialmente para o Lérias:

Sua formação musical é notável, com um poder de interpretação que é elogiado pelos críticos. Onde você se moldou como intérprete?
Sempre procurei observar as cantoras de minha preferência e aprender com elas. Sempre cantei junto com elas as canções preferidas. Foi assim que me moldei como intérprete.

No início, em quem você se espelhava?
Eu me espelhava nas cantoras do rádio que faziam muito sucesso na época. Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa e outras.

Na sua discografia também há composições de sua autoria. Você ainda exercita esse seu lado autoral hoje em dia?
Sim estou sempre exercitando o ato de compor. Tive algumas oportunidades de mostrá-las em discos que gravei nos anos 70.

Evita foi um musical marcante na sua carreira, um sucesso de público e crítica. Como foi essa experiência?
Realmente Evita foi um marco na minha carreira. No espetáculo tinha que cantar, dançar e representar. Sem sombra de dúvida um espetáculo forte, denso e com um score musical muito difícil, mas muito emocionante, arrancando lágrimas de quem o assistia. Até mesmo dos argentinos. Os produtores ingleses David Land e Robert Stigwood estiveram presentes na estreia e, depois de assistirem, disseram com todas as letras. “Você é a melhor Evita de todas as que fizeram o espetáculo no mundo”.

Recentemente, o rapper Marcelo D2 usou um sampler de uma canção de seu disco de 1973, chamada Deixa Eu Dizer. O que você achou dessa iniciativa?
Foi uma experiência muito gratificante ter sido mostrada para as novas gerações por Marcelo D2. Sou muito grata pela lembrança dele.

Quais são seus planos atuais para a carreira (shows, disco novo, DVD, etc.)?
Estou atualmente com o espetáculo” As mais belas canções de todos os tempos”, no qual eu canto o melhor da música brasileira, dos standards do jazz, dos musicais e do cinema. Pretendo fazer shows em teatros maiores e viajar pelo Brasil. Faremos um CD e um DVD do espetáculo. Estamos em negociações.