Cabaret é o melhor musical de 2011 em São Paulo
Cabaret é o melhor musical encenado na cidade de São Paulo em 2011. Foi um ano fraco, é verdade, com decepções como Evita e As Bruxas de Eastwick, até por isso, sem dificuldades, a peça de Cláudia Raia conseguiu se destacar no cenário deste gênero teatral.
A primeira grata surpresa é descobrir que Miguel Falabella pode, ainda, adaptar um texto de forma interessante – e de humor mais sofisticado do que seu costumeiro elenco de piadas à Antibes. Talvez porque humor, propriamente dito, pouco há. O que sobra é sensualidade, sexualidade e liberdade, terreno mais seguro para experimentar, ousar e sair do lugar-comum do que o universo do riso. Dito isso, e com direção segura de José Possi Neto, o espetáculo sobre a prostituta e dançarina Sally Bowles é o palco perfeito para Cláudia Raia brilhar, o que acontece em cada momento da apresentação. Dona de um corpão, a atriz é perfeita para o papel e dá conta do recado atuando bem e cantando da mesma maneira. Mas Cláudia, que bom, divide as atenções com Jarbas Homem de Mello, tão bem que poderia roubar a cena não fosse a segurança de Raia no papel.
Ele interpreta o mestre de cerimônias, o narrador que conduz o arco narrativo. Sua elegância no papel é tanta, que o público nem o vê nesta condição, mas sim como um homem show que transforma aquela encenação em um verdadeiro Cabaret. O musical, nesse sentido, acerta novamente ao transformar o relativamente pequeno Procópio Ferreira e um lugar intimista, com mesas laterais que permitem a parte do público – como foi o meu caso – integrar o cenário.
Apesar de a tradução das músicas tirar a força de canções já consagradas como “Maybe This Time”, a adaptação delas é fundamental para a compreensão correta e plena da história. Mesmo em casos como Mamma Mia!, em que sobram músicas consagradas, a tradução era mesmo a melhor opção. No teatro, como defendo, o que vale é a história e seu entendimento, músicas ficam para shows.
Assim, o público mergulha na linha dramática de Cabaret, que começa esbanjando sensualidade e caminha para o drama da ascensão nazista na Alemanha da década de 30. Nesse espaço, aparece a história do amor entre Sally e um jovem americano, no que parece o recado claro da paixão em meio a tantas quebras de padrões: a prostituta, a promiscuidade e a homossexualidade, temas mais naturais hoje, só que tabus maiores naquela época.
Cabaret vai além da imagem e entrega conteúdo bem executado para a plateia. O espetáculo segue em cartaz no ano que vem, quando terá a concorrência de “Hair”, “Um Violinista no Telhado”, “Priscila – A Rainha do Deserto” e “A Família Adams” – que venha 2012!
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http://www.facebook.com/people/Felipe-Guimarães/100001718071543 Felipe Guimarães
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Marco









