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“As Bruxas de Eastwick” domina o palco do Teatro Bradesco

Texto escrito por: Felipe Guimaraes

E eles conseguiram novamente. É impressionante como Charles Möeller e Claudio Botelho — nossos “reis dos musicais” — nunca erram na mão quando o assunto é montagem de espetáculos. “Avenida Q”, “O Despertar da Primavera” e “Gypsy” são orgulhos da comédia, contemporaneidade e drama do teatro musical nacional. E com “As Bruxas de Eastwick” — trabalho em parceria com a T4F —  a dupla acerta mais uma vez.

 

A história muitos já conhecem por causa do filme homônimo. Três mulheres de Eastwick — uma cidade conservadora norte-americana — sonham com o “homem perfeito”. Eis então que ele surge e pretende virar de cabeça para baixo a pacata região.

 

 

É fácil compreender o propósito da história. São três mulheres que são prejudicadas por “barreiras” as quais conseguem quebrar com o surgimento do homem misterioso. O negócio é que elas notam que, na verdade, não foi o sujeito que as transformou em mulheres fortes, ele apenas acendeu algo que já existia dentro delas. É um tema que mulheres maduras conseguem se identificar e que junto com o humor ácido faz a peça fluir deliciosamente. A direção acertou na mosca!

 

O elenco é fantástico. Desde as três bruxas (Sabrina Korgut, Maria Clara Gueiros e Renata Ricci) até a pequena garotinha (feita alternadamente por Isabella Moreira e Larissa Manoela).  Os personagens coadjuvantes, como Fafy Siqueira e Ben Ludmer — Felícia e Fidel, respectivamente –, tiram grandes risadas da plateia. André Torquato, 18 anos, comprova ser uma das promessas do teatro brasileiro, dominando o palco no número “Dançar com o demônio”. Eduardo Galvão mostra uma excepcional evolução desde seu papel em “Gypsy” e esbanja talento em cena.

 

 

Os efeitos especiais fazem o público babar, não de tédio, mas de espanto com tantas coisas de boa qualidade, desde os pequenos truques de mágica feitos no palco até a famosa “cena do vôo”, que dura pouco, mas é indescritível.

 

Torço para que a T4F continue fazendo produções nacionais e que convide a dupla para mais uma rodada, pois “As Bruxas de Eastwick” é uma produção impecável. Figurino, coreografia e cenários formidáveis além de uma história tranquila, divertida, com humor negro e personagens que se desenvolvem ao decorrer da história, algo que o público, em geral, vai gostar bastante. É teatro que garante diversão e entretenimento de qualidade.


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  • Maria de Fátima da Silva

    Ainda não vi o espetáculo, mas amei o filme, que vi há alguns anos atrás. Ouvi muitos elogios ao musical, então, pretendo ver o mais rápido possível.
    Quanto a M&B, vi a Noviça (aqui em SP), e fui ao Rio para ver Hair e Um Violinsta…o que posso dizer é que os espetáculos dessa dupla, os mágicos reis dos musicais, eu não consigo ver uma vez só!

  • http://www.gersonsteves.com.br Gerson Steves

    Peraê… vamos analisar algumas coisas…
    Orgulho do teatro musical nacional é forçar a barra, já que é teatro musical de franchising (que de brasileiro não tem nada ou muito pouco).
    Os efeitinhos especiais são pequenos pro palco do Bradesco, quase desaparecem… foguinhos aqui e ali… fumacinhas aqui e ali… e uma igrejinha que fica desmilinguida feito uma caveirinha de Halloween.
    Não falar que Maria Clara Gueiros não canta nada é passar por cima de uma das deficiências mais claras do espetáculo…
    Depois me disseram que vcs aqui falam a verdade. Verdade de quem, cara pálida?

  • Felipe Guimaraes

    Maria, eu prefiro muito mais a peça do que o filme para falar a verdade. A personagem da Felícia, na peça, é mais presente e forte do que na obra cinematográfica, sem falar que a Fafy é ótima!

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    Gerson, fazer um musical desse porte não é um orgulho? “O Despertar da Primavera”, por exemplo, abordou temas polêmicos e que poucos discutem,e, querendo ou não, as traduções são parte brasileira, principalmente as do “Avenida Q”, que possuía bastante cultura brasileira.
    Mas você está certo: alguns efeitos são pequenos e que vistos da frisa do 3o andar não podem ser vistos. A Maria Clara também não é uma grande cantora, mas é a que tem o melhor timming de comédia. Agredido que as três bruxas juntas equilibram a peça e a fazem fluir. Defendo que contar história é a tarefa mais difícil de uma peça traduzida (e ainda mais musical) e que “Bruxas” conseguiu passar muito bem.

  • Gerson Steves

    Felipe, orgulho todos nós devemos sempre ter quando um projeto dessa magnitude se concretiza. orgulho sim, perda de critério, nunca! E já que vc mencionou o Despertar, não se esqueça que os tais temas polêmicos foram abordados no seu original 120 anos atrás e que o musical mascara a reL seriedade dos tais temas…

  • http://www.gersonsteves.com.br Gerson Steves

    ooops! *real seriedade…

  • Gabriel Justo

    Normalmente eu sempre concordo com as críticas do Felipe. Mas não consegui nenhum paragráfo desse texto sem pensar “tá falando sério?”. :P

    O talento do elenco, logicamente, é indiscutível. Porém, o texto é fraco e a montagem, por mais que tenha uma qualidade técnica admirável, ficou muito caricata, muito forçada! Isso sem contar o efeito do voo, que PQP, que horror!

  • Lucas

    Normalmente também concordo com o que o Felipe escreve, mas aqui não tanto.
    O musical em si não é ruim, mas com ctz é o pior a que assisti com a assinatura de M&B.
    Um erro que não costuma ocorrer nas outras produções da dupla e que aqui é evidente foi a escalação de Maria Clara para o elenco, pois ela deixa muuuito a desejar no canto (e isso fica muuuuito evidente quando comparamos com as outras bruxas). Do restante, achei o elenco muito bom, tendo me surpreendido positivamente com Eduardo Galvão, Fafy Siqueira e Clara Verdier, a cuja voz eu ainda não tinha me atentado. Sobre o André, de fato é um grande talento, porém achei sua atuação, principalmente nos momentos iniciais, caricata demais! De qualquer forma, ele canta e dança muito bem (ainda que eu não tenha gostado nada da cena do “Dançar com o demônio”, mas isto não pe problema dele…). Sabrina Korgut está muito bem no papel, canta muuuito e, em minha opinião, é o principal motivo para ver a peça!
    Gostei muito da cena do vôo que, apesar de curta, é muito bem feita e inédita em palcos nacionais até onde eu lembro. Todos os outros efeitos são bem simples e pequenos e a destruição da igreja no final está muito ruim (o cenário entra balançando desde o início).
    De qq forma, apesar dos pontos negativos, creio que como comédia, valha a pena sim ver a peça, que é inteira bastante engraçada.

  • http://www.leriaselixos.com.br/felipeguimaraes/ Felipe Guimarães

    Gabriel, não acho o texto fraco, mas o elenco precisa estar completo. Se formos analisar por esse lado, qualquer peça possui um texto fraco sem o elenco forte. É como “Despertar” sem Pandolfo, “Gypsy” sem Totia, “Mamma Mia!” sem Kiara. E não sei onde você sentou, mas já assisti a peça na plateia e nas frisas e ainda acho o efeito do voo ótimo!

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    Lucas, querendo ou não, a Maria Clara é essencial para a peça. Mesmo que a Sabrina e a Renata sejam cantoras é a Maria Clara que possui o timming de comédia da peça. Sem ela o texto e o elenco ficam fracos, como já ouvi por aí gente reclamando quando ela não estava em cena. É um equilíbrio na verdade. Cada bruxa possui seu potencial e juntas são perfeitas em cena.
    Não acredito que o espetáculo seja o pior musical do M&B. Eles decidiram fazer uma comédia leve e que pudesse entreter o público e conseguiram. Entre assistir “Mamma Mia”, que também é uma comédia musical, ou “Bruxas”, fico com “Bruxas”.