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“Alvoroço” encerra temporada em São Paulo em dia ruim

Texto escrito por: Danielle Borges

A ideia era um espetáculo engraçado e interativo, feito com a ajuda da plateia, mas não foi bem isso que aconteceu na última apresentação de “Alvoroço”, cuja proposta é fazer comédia tendo como base o improviso. Se por um lado o público estava tímido e pouco disposto a ajudar, no palco faltou criatividade para resolver o problema. A saída encontrada foi repetir piadas batidas e tentar arrancar risos apelando para a malícia, palavrões e sacadas de cunho homossexual.

 

Ora, se a intenção é construir o espetáculo com a participação do público, por que então as sugestões dadas não foram aceitas? Ficar pedindo temas até ouvir aquele que agrada o grupo definitivamente não é improvisar. Entrei no teatro com a mente aberta e não me considero exigente, mas convenhamos que classificar uma apresentação como comédia não é suficiente para fazer rir. Da mesma forma, usar perucas e fazer caretas também não bastam para ser engraçado. A arte do improviso requer muito estudo e treino. Pode parecer, mas não é uma simples brincadeira de quintal.

 

O destaque ficou por conta do trabalho excelente de Aicha Marques, um primor em cena. Sutilmente engraçada, não demonstrou esforço algum para provocar boas risadas. Diferente dos demais, sua graça parecia completamente natural. A atriz protagonizou sozinha os dois momentos mais divertidos da peça. No geral, é impossível negar o esforço do grupo para apresentar um espetáculo bacana, por isso prefiro acreditar que simplesmente não fui num dia bom.


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