“Chico” canta em turnê pelo Brasil
Ansioso e cheio de expectativa. Essa era minha sensação antes de assistir ao show de Chico Buarque, no dia 06/04/2012. Prestigiar ao vivo o compositor de A Banda (1966), Olho nos olhos (1976), Apesar de você (1970), Roda Viva (1967) e tantos outros sucessos que engrandecem a música popular brasileira, é uma oportunidade única, ainda mais porque o cantor raramente realiza shows.
O espetáculo faz parte da turnê “Chico”, que viajará por todo o país, e ocorreu no espaço HSBC Brasil, local aconchegante e com ótima acústica.
Pontualmente às 22h, o astro da noite adentra o palco. Direto ao assunto, ele já chega cantando e leva a platéia à loucura com seu sorriso envergonhado. Chico cantou todas as músicas de seu novo cd e algumas canções mais antigas, dentre as quais uma realização sublime de Choro Bandido (1983). Vale ainda ressaltar o arranjo de Sinhá, com uma levada africana que nos transportava diretamente para as senzalas, e a homenagem ao cantor Criolo, que recentemente fez uma versão para Cálice (1969).
A maravilhosa banda que o acompanhava contava com Bia Paes Leme (teclados e vocais), Chico Batera (percussão), João Rebouças (piano), Jorge Helder (contrabaixo acústico), Marcelo Bernardes (flauta e sopros) e Wilson das Neves (bateria), além de Luiz Carlos Ramos (violão e direção musical).
Depois de cerca de uma hora e meia de boa música, Chico Buarque se despede com um singelo “boa-noite” e, para aqueles que conhecem sua vasta obra, deixa um gostinho de quero-mais.
Para os “fãnáticos” de Chico Buarque como eu, bem que o texto poderia acabar aqui.
No entanto, é necessário fazer algumas últimas ponderações sobre o show. Uma palavra resumir-lo-ia perfeitamente: pragmático. Embora a execução das músicas fosse impecável e o carisma do cantor inegável, não se via em Chico nenhum entusiasmo maior; era como se estivéssemos ouvindo o cd em nossas casas, não havia aquele algo a mais que se espera de um show ao vivo. Além disso, ele não conversava com a platEia para comentar sobre alguma música ou para contar alguma história – como é comum entre os cantores, principalmente os de bossa-nova.
Bom, uns dirão que essa impassibilidade do cantor se deve ao fato dele não gostar de fazer shows, outros que se deve à sua vergonha do palco; há ainda quem afirmará que isso tudo foi impressão minha, afinal eu estava esperando muito do evento; e também não faltará quem diga – porque sempre há aqueles que não apreciam a excelente música nacional – “Mas vindo desse Chico Buarque, qual a surpresa? O tempo do cara já passou”.
Enfim, foi esta a minha impressão: um bom show, que vale a pena cada centavo gasto no ingresso (bons centavos, diga-se de passagem), mas que não surpreende o público.
|
-
Elisatebes








